Quando a Petrobras divulgar o balanço do quarto trimestre na quinta-feira (4), os números já vão estar desconectados da nova realidade do petróleo. O cenário mudou completamente nesta semana.

Se o preço do barril orbitava a casa dos US$ 60 no fim de 2025, agora já passa dos US$ 80, como consequência da nova guerra no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos e Irã.

A alta do petróleo impulsionou as ações da companhia nos últimos dois dias. Na segunda-feira, o papel preferencial teve avanço de 4,58%. Nesta terça-feira, a PN mostra nova subida de 1,34% às 14h.

E como seriam os resultados da Petrobras no ambiente atual de preços? É um exercício que pode mostrar o potencial impacto para a companhia se a alta do petróleo se mostrar mais resiliente ao longo dos próximos meses e trimestres.

Com base nos dados operacionais referentes ao quarto trimestre de 2025 já divulgados pela Petrobras, analistas estimam que o Ebitda (lucro operacional) da companhia no período tenha alcançado US$ 10,6 bilhões. Isso com a referência de um valor médio do barril entre US$ 60 e US$ 65.

Com o preço do Brent, a referência global para a commodity, cotado acima de US$ 80, esse Ebitda alcançaria US$ 14 bilhões – um crescimento de 32%. Isso sem contar potenciais melhorias operacionais daqui para frente.

Já a geração de caixa subiria de US$ 8,6 bilhões para US$ 11,4 bilhões. E os dividendos provavelmente seriam bem mais polpudos: do estimado US$ 1 bilhão referente ao quarto trimestre passaria para US$ 1,5 bilhão.

Os fundamentos da Petrobras que afetam os resultados, no entanto, vão muito além dos preços do petróleo. Segundo o analista João Daronco, da Suno Research, a Petrobras conta hoje com uma das menores estruturas de custos do setor globalmente.

A produção da Petrobras atingiu níveis recordes no terceiro e no quarto trimestres. O volume alcançou 3 milhões de barris de óleo equivalentes diários (boed).

No segmento de refino, a utilização das refinarias também atingiu um recorde histórico, com 91% de capacidade. Além disso, o diesel S10, versão mais moderna do produto, com cinco vezes menos enxofre, representou 67,2% do mix de vendas desse combustível, o que indica a disposição da companhia em investir em novas tecnologias.  

Para o investidor, a combinação de produção recorde no pré-sal, que já responde por 81% do volume total, com sua área de refino em operação em alta carga, sugere uma manutenção de dividendos robustos ao longo dos próximos trimestres.

Analistas do Itaú BBA ressaltaram que a prévia operacional mostra que as exportações de petróleo bruto subiram 23% nos últimos meses do ano comparado ao terceiro trimestre. Essa alta foi sustentada pela maior produção e uma redução nas vendas de óleo no mercado interno.

A petroleira brasileira apresenta ainda outras fortalezas operacionais. As reservas provadas da companhia, ou seja, aquelas para há ao menos 90% de certeza de conseguir extrair óleo comercialmente, garantem um horizonte de produção de, pelo menos, 12,5 anos em crescimento.

Essas reservas reduzem o risco de exaustão de campos e a redução de produção no curto e no médio prazos. Também conferem fôlego para a companhia desenvolver a nova área da Margem Equatorial, no Foz do Amazonas, que tem potencial de se tornar um novo pré-sal.

Os analistas do Itaú notaram ainda que houve questões pontuais de custos no quarto trimestre que não devem se repetir nos próximos períodos.

Esses eventos incluem os pagamentos de US$ 1,3 bilhão referente ao leilão do pré-sal realizado no final do ano passado e de US$ 285 milhões associados a uma ação judicial que questionava o que a companhia devia ao governo pela produção no campo de Jubarte.