Perto das 14h45, as ações do GPA lideravam as perdas entre os papéis integrantes do Ibovespa, em baixa de 5,11%, aos R$ 2,97. O papel está entre os mais negociados da bolsa e chegou a tombar 9,6% na mínima do dia, atingida no começo da tarde.
O receio de que uma capitalização – um aumento de capital com emissão de novas ações para levantar recursos e reforçar o caixa – possa acontecer ganhou novos contornos hoje. A administração do GPA afirmou que há uma dúvida significativa sobre a sua continuidade operacional, além de enfrentar uma crise de liquidez, ou seja, dificuldade em captar recursos no mercado a taxas viáveis.
O mercado antecipa que um eventual aumento de capital ampliaria o número de ações em circulação e poderia reduzir o lucro por ação no curto prazo, caso o resultado não cresça na mesma proporção.
Além disso, ofertas realizadas em contextos de maior fragilidade financeira costumam envolver desconto para atrair investidores, o que tende a pressionar as cotações. Diante dessa expectativa, parte dos investidores ajusta suas posições antes mesmo de qualquer anúncio formal.
Pela Lei das S.A., que rege as companhias de capital aberto no Brasil, os acionistas têm prioridade para adquirir novas ações em aumentos de capital, proporcionalmente à sua participação, antes que esses papéis sejam oferecidos ao mercado.
Mas a legislação prevê a exclusão desse mecanismo em determinadas circunstâncias, e o próprio estatuto social da companhia autoriza o conselho de administração, dentro do limite autorizado, a deliberar emissões com redução ou até exclusão do prazo de preferência, especialmente em ofertas públicas.
Em outras palavras: mesmo quando o direito de preferência é assegurado, a diluição econômica pode ocorrer se o acionista optar por não exercer a preferência ou não tiver recursos para acompanhar a subscrição.
Além disso, a dívida líquida da companhia, de R$ 2,7 bilhões, é maior do que o atual valor de mercado grupo, de R$ 1,5 bilhão. Isso significa que um aumento de capital relevante poderia exigir a emissão de um volume expressivo de novas ações, pressionando ainda mais as cotações. Analistas têm feito contas e já especulam sobre a necessidade de um aumento de capital de até R$ 700 milhões.
Do ponto de vista operacional, a situação do GPA é muito sensível. Apesar da queda anual do prejuízo, que saiu de R$ 2,41 bilhões em 2024 para R$ 824 milhões em 2025, os investidores passaram a enxergar dificuldades no curto e médio prazo para voltar a ser lucrativa.
No fim de 2025, o GPA tinha capital circulante líquido negativo de cerca de R$ 1,22 bilhão, ou seja, suas obrigações de curto prazo superavam os recursos disponíveis no mesmo período. Esse resultado é puxado principalmente pelos empréstimos e debêntures com vencimento neste ano, que somam R$ 1,7 bilhão.
A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda (lucro operacional), alcança 4,9 vezes. Isso indica que a dívida é equivalente a quase cinco vezes a geração operacional anual da empresa.
Em linhas gerais, o mercado costuma considerar como níveis mais saudáveis de endividamento um número abaixo de 2,5 vezes. E um nível de 3 vezes é usado como referência para o acionamento de cláusulas de vencimento antecipado de dívidas.
Os investidores da empresa agora equilibram as expectativas. A nova gestão do GPA, capitaneada pelo CEO, Alexandre Santoro, promete priorizar a recuperação operacional da companhia, renegociando prazos, reduzindo gastos e retomando o crescimento. No entanto, a necessidade de melhora da estrutura de capital tende a manter as ações pressionadas, pelo menos no curto prazo.