A escalada da Guerra do Irã representa uma nova dose de volatilidade para os mercados globais. Mas isso não significa que seja hora de abandonar ativos de risco como os da bolsa de valores, porque não se sabe até que ponto os conflitos vão se estender e se a demanda por ações realmente vai cessar. Nessa situação, a estratégia mais eficiente é adotar um combo: dólar, ouro e ETFs de Ibovespa.

O recado mais claro para o investidor neste momento é não tentar acertar a hora, mas, sim, carregar os ativos na carteira porque cada um deles tem a sua função.

E vale ressaltar: a boa tese de investimento presume entender o significado de quedas na carteira porque essas posições funcionam como forças opostas, justamente para que uma produza ganhos quando a outra estiver gerando perdas. Esse é o objetivo por trás da diversificação.

Câmbio e ouro: a defesa necessária

Momentos de aversão ao risco como o atual levam investidores a reduzir sua exposição a ativos e a mercados considerados mais arriscados, como acontece no caso dos emergentes. E o câmbio é um dos primeiros canais a mostrar esse movimento.

Do dia 27 de fevereiro – um pregão antes de a guerra estourar com o ataque dos Estados Unidos e a morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei – até agora, o dólar subiu 1,5%, para R$ 5,2170. Não é muito, mas cada dia de guerra a mais significa aumento da probabilidade de os investidores buscarem mais proteção.

Muito embora, no exterior, a moeda americana possa também sofrer quedas frente a outras divisas consideradas mais defensivas, como o franco suíço ou o iene, o real é estruturalmente mais fraco do que o dólar. É por essa razão que contar com a moeda americana no portfólio continua sendo recomendado.

O mesmo vale para o ouro, uma típica forma de dispor de uma reserva de alto valor. Para um investidor de varejo, o metal precioso serve como proteção porque também tem um comportamento descorrelacionado da bolsa de valores e também em relação ao dólar.

Em momentos de aversão ao risco, o preço dessa commodity costuma sofrer grande volatilidade, em que grandes fundos globais e bancos centrais demonstram essencialmente dois comportamentos: de um lado, optar por vender o ouro para gerar liquidez e comprar títulos de dívida mais seguros; ou comprá-lo para montar um caixa diversificado para além da moeda americana, como vêm acontecendo nos últimos anos.

Novamente, não dá para acertar a hora. Por isso, a boa saída é ter o ativo a postos para defender a carteira quando os choques acontecerem.

Bolsa: por que não dá para abandonar

A renda variável também costuma sair prejudicada em momentos de saída de ativos arriscados. Alguns grandes investidores vêm promovendo um ajuste das suas posições nos emergentes justamente enquanto não se sabe até que ponto vão os conflitos.

Mas o investidor de varejo, tendo o dólar e o ouro como a parte defensiva na carteira, deve olhar para a bolsa para o longo prazo. A estratégia aqui precisa considerar que vender ações em um momento de queda é justamente embolsar o prejuízo.

E tem mais: o fluxo estrangeiro para a bolsa, que tem sido desde o começo do ano o grande responsável por impulsionar esse mercado, não deixou de existir – ao contrário.

Os ajustes de portfólio feitos por grandes alocadores globais têm sido muito mais uma resposta à incerteza do momento do que a uma mudança de visão para os emergentes.

Por esse motivo, para um investidor que deseja montar ou manter uma exposição à renda variável, é um momento propício para a compra de ETFs de Ibovespa, que representam acesso a todas as maiores ações em volume sem que seja preciso acertar as “vencedoras” em um momento tão crítico. Aqui você encontra os ETFs listados hoje ligados ao principal índice da B3.

No pregão do dia 5 de março, investidores estrangeiros retiraram da bolsa R$ 606 milhões. Dado o câmbio corrente, isso equivale a apenas US$ 116,27 milhões. E, nos primeiros dias após o começo da guerra, houve entrada de recursos que chegou a R$ 1 bilhão. No ano, o saldo é amplo: R$ 43 bilhões, valor acima de tudo o que foi aportado no ano passado.

Ou seja, o fluxo de capital estrangeiro ainda não mostra que a chave virou para a bolsa brasileira. E é o que grandes gestores de fundos internacionais endossam agora.

Em entrevista à Bloomberg, Bill Campbell, gestor de portfólio da DoubleLine Group, diz não estar no grupo dos que acreditam que os fundamentos mudaram para os emergentes e que, portanto, seja momento de sair desses mercados. “Vejo isso muito mais como um choque externo”, declarou. “Os emergentes oferecem muito valor e formas diversificadas de investir.”

Pramol Dhawan, chefe de gestão de portfólios de mercados emergentes da Pimco, afirmou à Bloomberg na mesma reportagem que as tensões geopolíticas são a maior fragilidade no momento, mas que fatores estruturais beneficiam mercados emergentes.

Entre esses fatores estão a inflação mais controlada pela atuação dos bancos centrais e o movimento de diversificação global para além da bolsa americana, um movimento que segue em curso porque os emergentes seguem sub-representados nos portfólios globais.

“Esse ciclo de mercados emergentes parece mais durável do que altas anteriores, incluindo o ciclo de 2008”, disse o gestor na entrevista.