O alerta foi feito por analistas do UBS em relatório divulgado nesta semana. A visão foi reforçada pelo especialista do banco suíço, Matthew Mish, em entrevista à CBNC americana na sexta-feira (13).
Nas contas da instituição, cerca de US$ 3,5 trilhões em títulos de crédito privado e empréstimos alavancados podem ser impactados pela nova onda de disrupção causada pela IA.
Só neste ano, entre US$ 75 bilhões e US$ 120 bilhões de títulos de crédito podem ficar inadimplentes diretamente por conta das mudanças nos negócios de vários setores trazidas pela inteligência artificial.
O UBS ressaltou que as transformações têm acontecido mais rápido do que esperava. A equipe do banco teve de revisar às pressas suas projeções para este ano e os próximos.
O deflagrou as revisões foram os modelos de IA autônoma mais recentes desenvolvidos pela Anthropic e OpenAI.
“Estamos precificando o que chamamos de um cenário de disrupção rápida e agressiva”, resumiu Mish. ˜Começa a ficar mais claro que as mudanças devem ocorrer em questão de trimestres, e não de anos.”
O UBS afirmou ainda que o mercado ainda precificou apenas parcialmente os riscos associados à disrupção provocada pela IA, especialmente nos segmentos de crédito de menor qualidade nos Estados Unidos.
“O mercado demorou a reagir porque não acreditava que isso aconteceria tão rápido”, afirmou. “Os investidores estão tendo que recalibrar completamente a forma como avaliam risco de crédito diante dessa ameaça, porque não é uma questão para 2027 ou 2028 — é algo mais imediato.”
Já os títulos classificados como grau de investimento tendem a mostrar maior resiliência, amparados por balanços mais sólidos e ratings estáveis das agências de classificação.
O relatório sugere ainda que o processo de ajuste de preços está apenas começando. Isso para a maioria dos setores.
As preocupações com a IA ganharam tração neste mês, à medida que o mercado deixou de enxergar a tecnologia como um vetor de crescimento generalizado e passou a vê-la sob uma lógica mais próxima de “o vencedor leva tudo”.
As ações de software foram as primeiras a serem afetadas, mas a onda de vendas acabou atingindo setores tão distintos quanto o financeiro, o imobiliário e até o transporte rodoviário.
A era das IAs autônomas
As IA autônomas também chamadas de agentes de IA conseguem realizar tarefas e tomar decisões sem interação humana. Os novos modelos lançados pela Anthropic, por exemplo, conseguem “ver” uma tela, mover o cursor, clicar e digitar como um humano.
Podem operar softwares, preencher formulários e navegar na web de forma autônoma. O Claude 3.5 Sonnet, por exemplo, mostrou-se altamente eficaz no desenvolvimento autônomo de softwares.
Já a OpenAI, criadora do ChatGPT, lançou modelos feitos para lidar com tarefas complexas, científicas e de programação que exigem longo tempo de reflexão (raciocínio intenso) antes de agir.
São ferramentas que podem automatizar – e eliminar – vários tipos de funções atualmente executadas por especialistas humanos.
No setor financeiro, por exemplo, essas novas IAs podem identificar uma oportunidade de investimento, mover fundos entre contas para evitar taxas ou até contestar cobranças indevidas em faturas de cartão de crédito de forma autônoma.
A ultra-personalização bancária antes restrita à altíssima renda, por exemplo, pode se tornar o padrão da indústria.
Na área jurídica de contratos, um agente de IA pode analisar muito mais rapidamente os documentos, fazer alterações e até negociar termos.
Por exemplo, se detectar uma cláusula de renovação automática, pode negociar termos básicos com o agente da outra parte e atualizar diretamente o sistema da empresa.