A bolsa brasileira continua surfando a onda da diversificação internacional, que parece ter ganhado um inesperado impulso diante do cenário geopolítico. Nesta quarta-feira (21), o Ibovespa passou pela primeira vez na história o nível de 169 mil pontos. O mercado local tem se beneficiado desde o ano passado de um movimento de investidores globais de reduzir a concentração dos portfólios nos EUA.

O principal índice acionário do país alcançou o recorde de 169.236 pontos no fim da manhã desta quarta-feira. Às 10h50, o índice segue em alta de 1,40% aos 168.603 pontos.

O dólar se mantém em queda diante do fluxo de fora. A moeda americana cai 0,60% cotada a R$ 5,3480.

A geopolítica global tem sido o principal fator de influência no comportamento dos mercados recentemente. A retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre uma eventual anexação da Groenlândia, que faz parte da Dinamarca, tem inspirado temores sobre uma guerra comercial internacional.

Sob esse pano de fundo, investidores vêm a possibilidade de uma intensificação do fluxo comercial entre a Europa e os países do Mercosul após a aprovação do acordo entre os blocos. A aposta é que as ações de Trump acabem por reforçar ainda mais a corrente de negócios entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e as nações da União Europeia.

O presidente dos EUA tem sustentado as ameaças tarifárias que pretende usar para anexar a Groenlândia. Trump afirmou que “não há volta” em seu objetivo de controlar a ilha. No discurso em Davos nesta quarta-feira, Trump descartou porém o uso da força militar para obter o território autônomo.

O uso de um tom menos agressivo sobre o tema ajudou a impulsionar o mercado internacional. As bolsas de Nova York reforçaram as altas após o discurso. O S&P 500 sobe 0,40%, enquanto o Nasdaq avança 0,30%.

Já na cena local, os investidores avaliam os dados da mais recente pesquisa eleitoral, da Atlas/Intel. O levantamento mostrou queda na vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, em um eventual embate entre os dois nas urnas.

Segundo a sondagem, a diferença no segundo turno caiu para 4 pontos percentuais, com o petista marcando 49% dos votos contra 45% do senador.