As carteiras recomendadas de ações das corretoras costumam ir de A a Z: têm empresas do setor financeiro, saneamento, mineração, agricultura, energia elétrica e por aí vai. Mas, nas sugestões deste mês, cinco companhias aparecem com mais frequência do que as outras, mostra levantamento feito pelo InvestNews com 11 instituições. São elas: Itaú, Localiza, Axia, Vale e Petrobras.

Na visão do mercado, essas gigantes brasileiras – que, aliás, já tinham aparecido na carteiras de fevereiro – se destacam por motivos diferentes. Algumas entregam retorno forte e consistente, enquanto outras devem se beneficiar de movimentos esperados para este ano, como a tão aguardada queda dos juros, a alta da energia no Brasil ou a sustentação do preço do minério lá fora.

Antes de entrar nos detalhes, vale um aviso: esta não é uma recomendação de investimento, ok? A ideia aqui é mostrar para onde os analistas estão olhando agora e quais as tendências.

Além disso, quando o assunto é renda variável, a estratégia mais inteligente combina mais com longo prazo do que trocar de ação todo mês.

Ações recomendadas para março

Itaú Unibanco

Presente em sete das 11 carteiras consultadas, o Itaú foi um dos beneficiados pelo fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira – que já superou os R$ 40 bilhões neste ano. A expectativa é que o banco continue atraindo esse capital e consiga atravessar um cenário ainda incerto no Brasil.

No quarto trimestre, o banco reportou lucro líquido de R$ 10,87 bilhões e ROE de 23,1%. Traduzindo: para cada R$ 100 de patrimônio, o Itaú gerou cerca de R$ 23 de lucro. É um nível elevado de rentabilidade.

Na avaliação do mercado, o banco tem estrutura suficiente para sustentar margens mesmo em um ambiente mais turbulento. E, se o cenário econômico melhorar, ainda pode ganhar participação de mercado com mais velocidade.

Localiza

A tese da Localiza se apoia em cinco pilares. Primeiro, há espaço para revisões positivas de lucro. Segundo, a companhia tende a se beneficiar de uma eventual queda de juros, que reduz o custo de capital e favorece a demanda. O setor também tem mostrado mais disciplina competitiva, com foco em preço e recomposição de margens. E a gestão segue concentrada em eficiência operacional.

Os números recentes reforçam esse cenário. Nos dois primeiros meses de 2026, a empresa vendeu 59 mil carros, alta de 15% na comparação anual, segundo o BTG. Esse ritmo já ajuda a reduzir a idade média da frota de aluguel para 15 meses, melhorando qualidade dos ativos e reduzindo custos.

Outro avanço foi a redução da frota de uso severo, que caiu de 31 mil para 18 mil veículos em 2025 – e pode fechar 2026 abaixo de 10 mil. Esse ajuste no mix, somado a margens mais fortes, abre espaço para revisões altistas nos resultados.

Axia Energia

A Axia aparece nas carteiras principalmente por causa da perspectiva de maior demanda por energia no Brasil – e de contas de luz mais caras. Algumas consultorias já projetam reajustes acima da inflação, pressionados por custos de geração.

Com a retomada do crescimento econômico e o avanço de setores intensivos em energia, geradoras bem posicionadas tendem a capturar tanto receita quanto participação de mercado.

Segundo os analistas, a Axia tem vantagem por sua exposição direta à geração de energia, sem depender de ciclos de petróleo ou gás. Isso pode colocá-la em posição estratégica tanto no mercado regulado quanto no livre.

Vale

Três pontos explicam a presença da Vale nas carteiras. O primeiro é a redução relevante de custos de produção, que fortalece margens e mostra ganho de eficiência operacional.

O segundo é a expectativa de dividendos. O mercado projeta dividend yield (taxa de retorno apenas com dividendos) em torno de 5,5% – abaixo do patamar dos últimos 12 meses, mas ainda atrativo.

Por fim, o preço do minério de ferro. O Safra acha que a commodity deve se manter acima de US$ 100 por tonelada, enquanto o Santander vê demanda “decente” no curto prazo. Se o cenário se confirmar, isso tende a sustentar os resultados da companhia.

Cyrela

A tese da Cyrela combina rentabilidade, preço e posicionamento estratégico. A ação negocia a múltiplos abaixo da média do setor, mesmo entregando ROE em torno de 20% desde 2024. Em termos simples: para cada R$ 100 de capital próprio, a empresa gera cerca de R$ 20 de lucro por ano – um nível forte no mercado imobiliário.

A companhia também tem um portfólio diversificado, que vai da baixa à alta renda, com exposição crescente ao Minha Casa Minha Vida. Isso ajuda a diluir riscos e dar mais previsibilidade aos resultados.

E há ainda o fator juros. Se o ciclo de queda se confirmar – com taxa próxima de 12% ao ano no fim de 2026 –, empresas do setor com balanço mais sólido e portfólio diversificado tendem a navegar melhor o cenário. Para o mercado, a Cyrela está nesse grupo.

Relatórios consultados: Genial, Terra, Itaú, Santander, BB Investimentos, BTG Pactual, Safra, Ágora, Rico, XP e Empiricus.