O Ibovespa, por exemplo, acumula um ganho de quase 18% em 2025, o que representa quase o dobro do retorno do CDI entre janeiro de agosto.
Além do principal indicador da bolsa brasileira, o destaque de 2025, por enquanto, está nas mãos – ou nas carteiras – do Índice Imobiliário (Imob) da B3. Com avanço de 56,11% em oito meses, o referencial que reflete o desempenho das ações do setor vive um dos melhores momentos desde a pandemia.
Em 2024, o indicador fechou em queda de 20%. Portanto, a alta já recuperou toda a queda do ano passado e foi além – só para reforçar, para compensar a perda anterior e voltar ao mesmo patamar em que começou 2024, o índice teria de subir 36%.
Um dos impulsos para as ações veio da criação da faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida, que passou a incluir a classe média. O crescimento de demanda projetado até então não estava refletido nos preços dos papéis das incorporadoras que trabalham nesse nicho.
Os investidores também vivem a expectativa do início de cortes da Selic a partir de 2026. A queda dos juros no país costuma impulsionar o mercado imobiliário tanto pela possibilidade de queda dos custos de aquisição da casa própria, quanto pelo aquecimento da economia.
A perspectiva de um início de ciclo de redução dos juros no Brasil também ajudou a impulsionar o Índice Small Caps, de empresas de menor capitalização de mercado. São companhias com menor volume de negociação na bolsa e, em geral, também de menor porte. São papéis com maior risco, mas, em ambientes favoráveis, costumam ter maior potencial de valorização.
A tabela de agosto
Aqui vamos explicar alguns pontos para você entender melhor a tabela de investimentos. A Associação das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) tem uma família de índices para medir os retornos dos diferentes tipos e vencimentos de títulos públicos.
O IRF-M, por exemplo, acompanha a variação de uma cesta de títulos prefixados de prazos variados. Já o IMA-B reflete uma carteira de papéis públicos atrelados inflação de curto, médio e longo prazos. O IMA-B 5 reúne títulos de inflação de vencimentos até 5 anos. O IMA-B 5+, é de prazos acima de 5 anos. E o IMA-S acompanha títulos atrelados à Selic com vários vencimentos.
É preciso lembrar ainda que tanto a Selic quanto o CDI estão atualmente em 15%. Mas esse é o retorno que será obtido em um ano após a subida das taxas para esse patamar, o que ocorreu em junho de 2025. Além disso, o acumulado de 2025 contempla apenas oito meses, um período no qual a taxa básica variou de 12,25%, em janeiro, aos 15% no fim do primeiro semestre.
Vamos para o tira-teima? Acompanhe o quadro abaixo:
Expectativa para cortes de juros
Os investidores têm reagido principalmente ao aumento das expectativas para o início dos cortes de juros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O cenário de aproximação dos ciclos de queda de juros lá fora e aqui impulsionou os índices acionários.
Os sinais recentes do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, reavivaram o interesse dos investidores globais pela renda variável. Lá nos EUA, as bolsas andavam, ou melhor, mantinham-se com uma certa fadiga e em busca de algum novo motivo para subir – ou, eventualmente, cair. O impulso trazido pela euforia com a expansão da inteligência artificial, por exemplo, último grande catalisador de alta, já mostra alguma perda de tração.
Então em agosto, Powell, em discurso no simpósio de Jackson Hole, elevou de novo a temperatura do mercado. O dirigente deixou as portas abertas para o afrouxamento da política monetária nos EUA. As apostas atuais convergem para o início dos cortes já em setembro.
Como a bolsa americana dá sinais de perda de fôlego depois de ter valorizado mais de 40% nos últimos 24 meses, parte dos dólares começam a buscar oportunidades em outros mercados. E o Brasil se tornou um candidato natural, diante dos descontos elevados na bolsa nos últimos anos.
Essa mesma perspectiva – de corte de juros lá fora – faz com que o real valorize ante a moeda americana, afinal mais dólares entrando no mercado local significa uma pressão para baixo na cotação da moeda americana. Em dólar, o Ibovespa sobe 34% no ano – uma bela recompensa aos gringos. Em reais, acumula alta de 17,57% de janeiro a agosto.