A plataforma de desenvolvimento imobiliário, focada na construção de prédios residenciais para locação, registrou prejuízo líquido de R$ 110 milhões no trimestre. Com isso, o lucro líquido consolidado ficou em R$ 63 milhões, cerca de 40% abaixo das estimativas do mercado.
A isso se somou outro ponto: o resultado financeiro, que gerou despesa líquida de R$ 275,2 milhões, alta de 57,4% na comparação anual. A despesa financeira líquida contempla, principalmente, juros sobre empréstimos e financiamentos, variações monetárias e cambiais – e é por isso que o nível elevado de juros no intervalo prejudicou a empresa nessa linha do balanço.
Mercado no escuro
Outro ponto que também repercutiu no papel foi a decisão da companhia de revisar sua estratégia corporativa e de “aprimoramento da comunicação com o mercado” e deixar de divulgar as projeções, ou guidance, para 2026.
Na prática, a companhia deixará de fornecer estimativas oficiais de desempenho, o que tende a reduzir a visibilidade sobre seus resultados futuros e pode dificultar a modelagem de expectativas por parte de analistas e investidores. É um elemento a mais para colocar na conta dos riscos associados ao investimento na companhia.
Reversão em breve?
Após os resultados, o Citi manteve recomendação neutra – o mesmo que dizer para não comprar ou não vender, basicamente – para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 9,50. Já o Safra, também com recomendação neutra, estabeleceu um preço-alvo de R$ 11, o que implica potencial de valorização de cerca de 28%.
O banco afirma que ainda espera avanços mais consistentes no processo de desalavancagem (menor endividamento) da companhia, já que o fluxo de caixa gerado pelas operações principais ainda não mostrou uma melhora relevante.
Por outro lado, os analistas destacam que mudanças recentes nas regras do programa Minha Casa Minha Vida, como o ajuste nos subsídios e o aumento do teto de preços dos imóveis financiáveis, tendem a favorecer a MRV.
Em 2025, a receita operacional líquida da empresa somou R$ 10,1 bilhões, avanço de 20% na comparação anual. No quarto trimestre, a receita líquida consolidada ficou próxima de R$ 3 bilhões, crescimento de 27,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A companhia também registrou lucro líquido consolidado de R$ 116,5 milhões no ano, revertendo o prejuízo de R$ 153,7 milhões registrado em 2024. Parte dessa melhora veio da divisão voltada ao programa Minha Casa Minha Vida, que apresentou lucro de R$ 168,9 milhões no quarto trimestre, ante prejuízo de R$ 17,8 milhões no mesmo período do ano anterior.