Nesta quinta-feira (12), a divulgação do IPCA de fevereiro ganha significância por ser o último dado relevante antes da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na semana que vem. Os números vieram um pouco acima do esperado, mas consolidam a visão de que há espaço para corte de juros, apesar da volta dos preços do petróleo para a casa dos US$ 100. A expectativa do mercado passou a convergir para uma redução inicial de 0,25 ponto percentual na próxima quarta-feira. A escalada dos preços da commodity, por sua vez, volta ao centro das preocupações dos mercados globais, diante da perspectiva de alta da energia e volta da inflação.
Enquanto você dormia…
- O mercado global amanhece com humor mais defensivo, refletindo o salto recente do petróleo e a preocupação renovada com inflação. Os futuros das bolsas de Nova York sinalizam para uma abertura mais negativa: às 7h25, o S&P 500 futuro tinha queda de -0,37%, enquanto o Nasdaq futuro recuava -0,33%.
- Na Europa, as bolsas recuam com o petróleo pressionando expectativas de inflação e juros. O Stoxx 600 tem queda de -0,05%.
- Na Ásia, as bolsas fecharam em queda. O índice Nikkei, de Tóquio, encerrou com baixa de -1,04%. O Hang Seng, de Hong Kong, terminou recuo de -0,70%.
- O índice dólar (DXY) apresenta alta de +0,09% aos 99,36 pontos. O petróleo Brent segue o rumo da alta com +5,09% cotado a US$ 96,70 o barril, tendo superado os US$ 100 mais cedo. Os juros da Treasury de 10 anos sobem para 4,222% ao ano.
Destaques do dia
- Petróleo volta ao centro do palco: novas ameaças à navegação e à infraestrutura energética no Oriente Médio reacenderam o risco de interrupção de oferta de petróleo, empurrando o Brent para perto de US$ 100. O movimento recoloca a commodity no centro da discussão sobre inflação global.
- Mesmo com anúncios de liberação de reservas estratégicas internacionais, o mercado segue cauteloso sobre a capacidade de essas medidas compensarem rapidamente eventuais interrupções de oferta.
- E daí? No Brasil, a movimentação coloca as petroleiras no radar, especialmente Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3). Por outro lado, energia mais cara tende a reforçar a cautela com inflação e juros, tema sensível para ativos domésticos.
Giro pelo mundo
- Petróleo em destaque: Brent voltou a superar US$ 100 durante a madrugada após novas ameaças à navegação no Golfo de Ormuz; o mercado monitora possíveis impactos na oferta global.
- Inflação no radar: o salto da energia reacende dúvidas sobre o ritmo de cortes de juros nos EUA ao longo de 2026.
Giro pelo Brasil
- IPCA de fevereiro: a inflação de fevereiro ficou em 0,70% no mês, acima da expectativa de 0,65%. A taxa anual alcançou em 3,81%; o resultado ajuda a calibrar expectativas para juros.
- Inflação global respinga: a alta do petróleo pode reduzir a margem para flexibilização monetária em emergentes, incluindo o Brasil.
Giro corporativo
- Raízen em recuperação extrajudicial: companhia justificou o pedido com alerta sobre risco de cross-default que poderia antecipar o vencimento de cerca de R$ 60 bilhões em dívidas; o mercado acompanha negociações com credores.
- Prio: produção em Wahoo e ganhos de eficiência em Peregrino reforçam expectativa de geração de caixa e podem abrir espaço para política formal de dividendos.
Agenda do dia
- 09:00:IPCA de fevereiro — Brasil. Principal dado doméstico do dia e referência para expectativas de juros. A inflação de fevereiro ficou em 0,70% no mês, acima da expectativa de 0,65%. A taxa anual alcançou em 3,81%.
- 10:30: Pedidos semanais de auxílio-desemprego — EUA. Indicador importante do mercado de trabalho americano.
- 10:30: Balança comercial — EUA. Ajuda a medir o ritmo da atividade econômica.
- 10:30: Início de construções — EUA. Termômetro do setor imobiliário.
- 14:00: Flow of Funds — Federal Reserve. Relatório detalha fluxos financeiros na economia americana.
Ótima quinta-feira e bons negócios!