A terça-feira (10) começa com o petróleo em ritmo de alta volatilidade. Após disparar para acima de US$ 100, mas recuar de volta para abaixo do patamar na segunda-feira, os preços da commodity seguem em queda acentuada, devolvendo parte do susto de ontem. O gatilho para a guinada do petróleo foram as declarações do presidente americano Donald Trump de que a guerra no Irã estaria perto do fim. Por aqui, a guerra no Oriente Médio ainda segue ainda no radar do mercado, mantendo Brasília, por enquanto, em papel coadjuvante.
Enquanto você dormia…
- O mercado global amanheceu em recuperação moderada, sob a perspectiva que a guerra com o Irã pode acabar “em breve”, conforme as palavras de Trump. Os futuros das bolsas de Nova York indicam abertura positiva para o mercado:às 7h20, o S&P 500 futuro subia +0,14% e Nasdaq futuro tinha alta de +0,27%.
- Na Europa, o STOXX 600 subia 1,9%, puxado pelo alívio do petróleo e bancos.
- Na Ásia, o Nikkei terminou a sessão em alta de +2,88%. O Hang Seng, de Hong Kong, avançou +2,17%, ajudado também por exportações chinesas mais fortes.
- O índice dólar (DXY) segue estável em 98,71 pontos. O petróleo Brent segue em queda de -7,54% a US$ 91,50 o barril. Os juros da Treasury de 10 anos recuam para 4,127%.
Destaques do dia
- Petróleo sai da fervura, mas o fogão continua ligado. Depois de encostar em níveis que reacenderam o medo de inflação global, o petróleo recua forte nesta manhã após Trump afirmar que o conflito pode ter desfecho rápido.
- O problema é que o alívio pode ser provisório: autoridades iranianas mantiveram o discurso duro, e ministros de energia do G7 discutem nesta terça-feira o choque nos preços. Em outras palavras, o mercado ganhou um travesseiro, não um colchão.
- E daí? Para o Brasil, o recuo do barril ajuda a tirar pressão imediata sobre inflação e combustíveis. O dia promete ser de recuperação cautelosa. Petrobras segue no radar depois de adiar reajustes e receber impulso com a alta recente do petróleo.
Giro pelo mundo
- China surpreende: exportações cresceram 21,8% em janeiro e fevereiro, bem acima da projeção de 7%; o dado ajudou a sustentar o humor na Ásia. O trigger agora é medir se esse fôlego se mantém nos próximos indicadores de atividade.
- Energia no radar: ministros do G7 discutem hoje a disparada recente dos preços de energia, mas ainda sem compromisso formal de liberar reservas estratégicas. Mercado vai procurar qualquer sinal mais concreto após a reunião.
- Trump e o petróleo: a fala do presidente americano ajudou a bolsa a subir e o petróleo a cair, mas o mercado segue sensível a qualquer mudança de narrativa. Basta uma frase para o pregão trocar de trilha sonora.
Giro pelo Brasil
- Combustíveis: a Petrobras decidiu segurar reajustes no Brasil e esperar para ver se a alta do petróleo se sustenta antes de repassar preços. O mercado vai monitorar novas falas da companhia e a evolução do Brent.
- Bolsa tenta embalar: após subir 0,86% ontem, o Ibovespa começa o dia tentando renovar fôlego. Mas os movimentos da bolsa brasileira ainda estão muito dependentes do humor externo e do comportamento das commodities.
- Inflação no foco: sai às 8h a 1ª prévia do IGP-M de março, que ajuda a calibrar a leitura sobre preços no atacado. Não costuma roubar a cena, mas também não passa em branco.
Giro corporativo
- Ultrapar no tabuleiro: Ultrapar e Perfin negociam a compra de 30% da Rumo (RAIL3), segundo reportagem publicada pelo InvestNews com conteúdo da Bloomberg. Se avançar, o movimento reforça a guinada da Ultrapar para logística.
- Postos Ipiranga à venda: separadamente, a Ultrapar contratou o BTG para tocar uma possível venda de participação na Ipiranga. Há relatos de interesse da Chevron.
- Cosan no radar: a companhia reduziu o prejuízo do 4T25 em 38% para R$ 5,8 bilhões. O foco agora é entender os próximos passos do grupo, principalmente em relação ao endividamento da Raízen, joint venture com a Shell.
Agenda do dia
- 08:00: IGP-M, 1ª prévia de março — Brasil. Ajuda a medir a temperatura dos preços no atacado.
- 09:15: Emprego ADP semanal — EUA. Serve como aperitivo para a leitura do mercado de trabalho.
- 11:00: Vendas de moradias usadas de fevereiro — EUA. Importa para atividade e juros.
- 12:45: Reunião de ministros de energia do G7 — Exterior. Mercado procura sinais sobre resposta ao choque do petróleo.
- 14:00: Leilão de Treasury de 3 anos — EUA. Teste importante de demanda por títulos.
- 17:30: Estoques de petróleo API — EUA. Pode mexer com petróleo e petroleiras no after market.
Ótima terça-feira e bons negócios!