Segundo os termos do acordo, a Riza assume o compromisso de adquirir não somente a securitizadora, como também todos os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) de emissão da Virgo ligados a um projeto imobiliário da Oncoclínicas em parceria com a Cedro Participações – a emissão que esteve no centro da polêmica de governança da empresa de Ivo Kos.
A Virgo, segunda maior securitizadora do país, com R$ 90 bilhões sob gestão fiduciária, utilizou recursos dos fundos de reserva de CRIs estruturados por ela mesma para investir em um veículo chamado Allocation, um fundo do qual a Virgo é a única cotista e cujos recursos foram dados como garantia de compra de uma emissão que a Virgo também havia estruturado – no caso, o CRI da Oncoclínicas/Cedro. O caso foi revelado pelo InvestNews.
O grande questionamento estava no fato de que os fundos de reserva, por serem um “colchão de liquidez” para amparar possíveis problemas nas operações de CRIs, devem ser destinados para ativos e produtos de baixíssimo risco e altamente seguros.
A costura da venda da securitizadora envolvia a compra dos CRIs justamente para dar uma saída viável e que resolvesse o problema de liquidez. O fundo Allocation chegou a ser fechado para resgates pela administradora BRL Trust, o que impedia a Virgo de resgatar os recursos – inclusive aqueles que pertenciam aos fundos de reserva.
“A operação, uma vez concluída, possibilitará o resgate dos recursos atualmente investidos no Allocation sem qualquer prejuízo aos investidores de títulos emitidos pela Virgo”, diz trecho do comunicado enviado ao mercado.
“Tal movimento reforça o compromisso da Virgo, de seus colaboradores e acionistas diretos e indiretos com o melhor interesse dos investidores e com a evolução do mercado de securitização brasileiro”, conclui.