Na segunda-feira (19), como mostramos no nosso morning cripto de hoje, a gigante americana anunciou que está desenvolvendo uma plataforma para negociação e liquidação de acões e valores mobiliários tokenizados – ou seja, ativos que passam a rodar na tecnologia por trás das criptomoedas, a famosinha blockchain. A proposta é permitir que essas negociações aconteçam de forma contínua, inclusive fora do horário tradicional de pregão, com liquidação praticamente imediata.
Essas ações tokenizadas, segundo a Nyse, serão equivalentes às ações tradicionais e aos valores mobiliários digitais. Portanto, os investidores terão direito aos mesmos dividendos e direitos de voto das ações convencionais. Segundo a bolsa, esses papéis poderão ser negociados como ações “de verdade”, apenas em formato digital.
A bolsa de valores disse que ainda vai buscar as aprovações regulatórias necessárias para tirar o projeto do papel. A ideia é liberar ainda neste ano. Se isso acontecer, será a primeira vez que a Nyse terá um ambiente dedicado à negociação de ações tokenizadas.
Como funciona
O jeito como o mercado financeiro funciona hoje foi pensado para um mundo que ainda fecha as portas no fim do dia. Quando um investidor compra ou vende um ativo, o negócio até é encerrado na hora, mas a parte burocrática vem depois.
A operação precisa atravessar vários sistemas e instituições diferentes até ser oficialmente concluída, passando por corretoras, estruturas de compensação, custódia e bancos. Esse vai e vem de registros e checagens torna o processo lento e pesado.
Para piorar, o dinheiro só anda quando o sistema bancário está aberto. Fins de semana, feriados e diferenças de fuso entram na conta. Na prática, isso significa que os recursos ficam parados no meio do caminho por um tempo, o que encarece a operação e deixa as partes expostas a riscos até que tudo seja liquidado de vez. A proposta da Nyse é reduzir esse intervalo e aproximar a liquidação do momento da negociação.
É justamente aí que entra a mudança. Em vez de usar apenas a infraestrutura financeira tradicional para registrar quem comprou, quem vendeu e transferir dinheiro e ativos, a Nyse quer passar a usar blockchains (sim, várias) nessa etapa de bastidores para liquidação e custódia. A ideia é que essa tecnologia permita registrar e transferir ações de forma mais rápida e contínua.
Na prática, a bolsa vai continuar usando seu sistema tradicional – chamado Pillar –, que é o motor responsável por casar ordens de compra e venda. Mas todo o “back-end” da operação, ou seja, a parte de registro, liquidação e custódia, passa a rodar na tecnologia por trás das criptos.
A empresa informou que já está trabalhando com instituições como BNY e Citi para viabilizar depósitos tokenizados em suas câmaras de compensação.
Vale lembrar que outras empresas também “namoram” o setor cripto. No fim ano passado, a Nasdaq apresentou uma proposta formal à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, em inglês) para permitir que ações tokenizadas e produtos negociados em bolsa (ETPs) sejam listados e negociados diretamente em sua plataforma, usando tecnologia blockchain. O CME Group também divulgou em 2025 que está explorando e testando tecnologias de tokenização.