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O petróleo mal se mexeu após o ataque dos EUA à Venezuela, mas o mercado segue em estado de alerta. Para o investidor brasileiro, é natural que a atenção se volte à Petrobras, mas há um nome menos óbvio que pode ser atingido – e para o bem – por esse novo equilíbrio geopolítico: a Aura Minerals.

A Aura é uma mineradora de ouro. O ouro subiu 65% no ano passado – e a tendência é que a escalada continue. Depois do ataque americano ao governo venezuelano e da retirada de Nicolás Maduro do poder, o mercado rapidamente reagiu para um movimento de procura por ativos considerados defensivos – e o ouro subiu 2% em seguida.

É aquela coisa: quando não se sabe o que vai acontecer, o melhor é já ter uma proteção na carteira. Vale para um grande investidor, como vale para você.

Do lado “macro”…

Na frente macroeconômica, o grande ponto é: o ouro deve seguir avançando nesse ano. Os riscos geopolíticos, que eram apenas “risco” há um tempo, cresceram: agora, eles se tornaram um medo recorrente com a escalada das tensões na América Latina. Lembrando: em um mundo que já enfrenta conflitos entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio.

Junto disso vem a deterioração das contas públicas em várias economias e o temor de pressões inflacionárias, que reforçaram o status do metal como instrumento de proteção.

Não só entre investidores. O ouro conta com um comprador sólido: bancos centrais. Eles vêm recorrendo ao ouro como alternativa para diversificar reservas além do dólar.

O ouro, afinal, não é imune a crises geopolíticas. Para a China, por exemplo, não interessa ter só dólares em suas reservas internacionais. Em última instância, eles podem ser confiscados pelos EUA – como aconteceu com a Rússia –, já que ficam na forma de títulos públicos. Logo, o país de Xi Jinping tem trocado paulatinamente suas reservas em dólar por ouro. Com o caso da Venezuela, o caldeirão geopolítico ganha mais temperatura. E o jogo fica mais favorável para o metal amarelo.

A China não está sozinha, claro. Turquia, Polônia, Cazaquistão e até o Brasil estão entre os maiores compradores. Não só por “medo de confisco”, mas porque a dívida americana está no maior nível desde 1946 (120% do PIB). Isso tira confiança no dólar – os EUA podem imprimir moeda para pagar, gerando inflação e corroendo o valor da moeda. Não dá para imprimir ouro. Logo, os bancos centrais correm para o metal amarelo.

A perspectiva de afrouxamento monetário nos Estados Unidos – que no fim do ano passado virou realidade – também tornou o metal mais atrativo. Um corte de juros reduz o custo de carregar um ativo que não paga cupom. Em outras palavras: o ouro não paga juros nem dividendos; por isso, quem tem o metal como investimento “deixa de ganhar” o que receberia em aplicações seguras, como títulos do Tesouro dos EUA. Se o juro cai, melhor para o metal.

Para este ano, muitas casas já trabalham com um cenário em que o ouro possa perder um pouco de força, mas sem afetar o ciclo atual do metal, que é de alta, consolidado na faixa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil a onça (o equivalente a 31 gramas).

…e do lado “micro”

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Depois de ser negociada na bolsa do Canadá, a Aura Minerals estreou na Nasdaq em julho de 2025, de olho em um aumento da liquidez de seus papéis. De lá para cá, teve enorme valorização na bolsa americana – e o BDR, a “versão brasileira” da ação lá fora, acompanhou o desempenho.

O que explica o descolamento do BDR da ação em Nova York é a variação do ouro, que foi mais relevante que a do câmbio e é melhor capturada pela ação diretamente lá fora.

Toda essa euforia é resultado da leitura sobre o momento operacional da empresa. Na frente de volumes produzidos, o crescimento estimado é de 39% em 2026 na comparação anual, segundo cálculos do BTG Pactual. O impulso deve vir sobretudo do aumento de produção na mina de Borborema (RN) e da plena atividade da mina de Serra Grande (GO).

Os papéis estão entre os mais “esticados” da bolsa, quer dizer, avaliados como caros no comparativo com outras companhias de mineração – Vale, CSN Mineração e Usiminas entre os mais importantes. Ainda assim, partindo da premissa que o ciclo do ouro vai permanecer, a expectativa é de que a Aura apresente uma forte geração de caixa.

O fluxo de caixa livre – o dinheiro que sobra após os investimentos para manter e expandir as operações – equivaleria a aproximadamente 11% do valor de mercado. É um nível elevado, que indica que, em um único ano, a empresa gera caixa correspondente a mais de um décimo do que o mercado paga hoje por ela. Um fluxo de caixa forte estimula a compra do papel, portanto, porque representa um percentual muito grande do preço da ação.

Além disso, a Aura seria avaliada a cerca de 3,9 vezes o Ebitda (uma medida de lucro operacional) projetado para 2026, também nas contas do BTG. Essa é uma métrica calculada dividindo-se a dívida líquida pelo Ebitda e expressa quantos anos a empresa levaria para quitar suas dívidas usando todo o lucro operacional. Em linhas gerais, níveis abaixo de 2 vezes são considerados mais saudáveis, mas empresas com operações mais alavancadas pode acabar operando com relações mais altas.

O papel também negociaria com “desconto” em relação ao valor de seus ativos, já que o múltiplo que relaciona o preço da ação ao valor patrimonial (P/NAV) é de 0,68 vez. Ou seja: o mercado ainda atribui à companhia um valor inferior ao das minas e projetos que ela tem.

Por fim, a empresa teria capacidade de sustentar um dividend yield na faixa de 7% a 8%, ou seja, um retorno anual em dividendos equivalente a esse percentual do preço da ação, desde que mantidas as atuais condições de geração de caixa.