Em resposta à escalada dos conflitos, as ações da Petrobras avançam 3,97%, enquanto a Brava Energia sobe 3,43%. A PetroReconcavo sobe 2,11% e a Prio tem alta de 5,05%.
No caso da Petrobras, a leitura dos analistas é que a empresa é estruturalmente mais sólida do que a da commodity em si. A companhia opera com um dos menores custos de extração do mundo no pré-sal, que já responde por mais de 70% da produção nacional.
A produção total brasileira supera 3 milhões de barris por dia e segue em expansão, o que garante escala e competitividade. Além disso, a estatal apresenta balanço com endividamento controlado e forte geração de caixa mesmo com o petróleo Brent – principal referência internacional de preço do petróleo – abaixo dos picos recentes.
No entanto, uma parte do desempenho mais recente está atrelada justamente ao prêmio geopolítico. Se houver melhora no ambiente internacional, ainda que pequeno, e o petróleo devolver parte da alta, os ganhos adicionais tendem a ser limitados. Novas altas dependem essencialmente, portanto, dessa capacidade de manter um balanço positivo.
O outro ponto relevante é que a companhia tem um risco principal que não está na operação e nem nos preços do petróleo: o componente político. Conforme o ano avança, são essas incertezas que vão movimentar a estatal na bolsa, já que a empresa é diretamente afetada pelas perspectivas para a política de preços, dividendos e alocação de capital.
É justamente de olho nisso, inclusive, que algumas gestoras mantêm uma posição short – ou “vendida”, que ganha com a queda dos papéis –, mesmo diante dos acontecimentos atuais.
Junior oils
Entre as petrolíferas menores da bolsa, a que mais tende a responder de fato aos efeitos da guerra sobre o petróleo é a Prio. Com foco em exploração e produção e menor integração com refino, sua geração de caixa reage de forma mais direta ao Brent.
Em um cenário de petróleo sustentado ou avançando, os papéis da companhia tendem a se beneficiar mais do que as demais. Mas é justamente por isso que, sem uma visão clara para os preços da commodity agora, é arriscado acreditar que a empresa irá destravar novas altas apenas por causa desse fator.
Já a Brava Energia aparece como uma tese mais ligada à reestruturação e à captura de ganhos operacionais do que a um simples movimento do Brent. A empresa combina ativos onshore (na terra) e offshore (no mar) e vem passando por um processo de reorganização e otimização de portfólio, buscando elevar eficiência, reduzir custos e melhorar margens (o que sobra da receita após os custos e investimentos).
Assim, embora se beneficie de um petróleo mais alto, sua valorização depende em grande medida da capacidade de executar bem os projetos, integrar ativos e extrair sinergias, o que torna a tese menos dependente de um choque abrupto de preços e mais ligada à disciplina operacional.
A PetroReconcavo tem perfil ainda mais concentrado em ativos maduros, sobretudo campos terrestres, e em uma estratégia marcada por disciplina de capital e foco em eficiência. Seu modelo é baseado na revitalização de campos já desenvolvidos e controle de custos em vez de grandes apostas exploratórias ou projetos de alto risco.
Isso tende a oferecer maior previsibilidade operacional e geração de caixa mais estável ao longo do ciclo. Justamente por não depender de grandes projetos ou de expansões agressivas, a empresa costuma capturar de forma menos intensa os ganhos extraordinários em um cenário de forte disparada do petróleo.
A alta recente do Brent para a faixa de US$ 75 a US$ 80 por barril reflete muito mais a incorporação da incerteza ligada à possibilidade de interrupções em rotas estratégicas do que propriamente um choque duradouro de oferta até aqui. Até porque, a Opep, grupo dos países exportadores de petróleo, ainda mantém capacidade ociosa estimada em cerca de 3 milhões a 4 milhões de barris por dia e já afirmou que haverá incremento da produção em abril.
Com a perda pontual de produção – inclusive do Irã, que produz cerca de 3,3 milhões de barris diários –, existe margem para compensação parcial. Esse colchão reduz o risco de escassez imediata.