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CEO Responde

CEO da Wiz: novos parceiros vão fortalecer receita após saída da Caixa

Após perda de quase R$ 70 milhões vindos da Caixa Seguridade, companhia de seguros elegeu responsável pela reestruturação do IRB para presidir conselho.

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Após o fim de um “casamento” de 47 anos com a Caixa Seguridade, a corretora de seguros Wiz Soluções (WIZS3) sentiu pela primeira vez o peso da transição. A receita bruta da companhia caiu 24,8% no terceiro trimestre, para R$ 212,5 milhões. No entanto, parcerias com novos players como Inter Seguros e BMG Corretora podem dar nova tração aos resultados da empresa, acredita seu CEO, Heverton Peixoto, em entrevista ao InvestNews.

A operação do BMG com a venda de seguros, por exemplo, teve participação de 27,8% na receita da Wiz. Já o Inter Seguros, com quem a Wiz trabalha com oferta de todo tipo de seguros (residencial, automóvel, seguro de vida, previdência e pet) via aplicativo do banco, representa em média 9% de seu faturamento, embora não exista uma consolidação contábil.

Além da receita menor, a companhia teve um lucro líquido ajustado de R$ 56,7 milhões no terceiro trimestre, queda de 49,5% na comparação com o terceiro trimestre de 2020. Segundo a companhia, a saída de um dos seus executivos impactou expressivamente no seu lucro, pelo pagamento de um plano de remuneração de longo prazo.

Apesar dessas perdas no balanço, o CEO da Wiz Soluções se diz confiante e enxerga o cenário como “momentâneo”. Em entrevista ao InvestNews, ele explica que 6 das novas parcerias fechadas no último ano ainda nem figuram no balanço e devem render bons frutos só a partir do quarto trimestre.

“A Wiz está sólida, com forte apetite de negócios. Melhoramos a nossa governança, estamos focados em sermos a maior corretora de seguros do país. Temos dinheiro em caixa e dando lucro”, aponta Peixoto.

As ações parecem estar refletindo parte desses resultados. No acumulado de 2021 até o dia 10 de novembro, as ações da Wiz (WIZS3) valorizaram em torno de 38%, enquanto o Ibovespa acumulava variação negativa de mais de 9%.

Mas o que esperar da companhia de seguros agora, na etapa de consolidação com novos parceiros? Confira a seguir a conversa com Heverton Peixoto.

Esta entrevista faz parte do quadro do InvestNews CEO Responde, que traz cinco perguntas sobre as principais dúvidas do mercado sobre negócios de capital aberto. Confira o que já foi publicado:

InvestNews – No segundo trimestre de 2021, os resultados da Wiz não foram impactados pela desvinculação com a Caixa Seguridade. Mas no terceiro trimestre, tanto receita como lucro líquido foram inferiores. O que aconteceu?

Heverton Peixoto – Esta é uma questão importante. No segundo trimestre de 2021, apesar de a gente ter rescindido o contrato com a Caixa, nossa remuneração ainda tinha a presença deles em cheio. Então, durante o segundo trimestre, ainda teve a remuneração normal do contrato da Caixa. Não fomos afetados, isso fazia parte da transição.

Mas esse acordo de transição acabou e no terceiro trimestre você percebe este impacto com a saída da Caixa no contrato. É importante destacar que a Caixa ainda tem uma parte significativa na nossa receita, entre 20% e 30%, que perdura e vai continuar presente. É o que denominamos de run off, em média cerca de R$ 60 milhões.

Mas o que ocorreu no terceiro trimestre foi a perda de receita, da mesma ordem de grandeza, cerca de R$ 70 milhões que era oriunda da Caixa. Esse valor não aparece mais nos nossos números. No terceiro trimestre de 2020, por exemplo, tivemos uma participação da Caixa na nossa receita muito forte, de R$ 283 milhões.

É claro que, ao comparar um ano com outro, parece que a Wiz levou uma porrada muito forte, mas o investidor precisa saber que no terceiro trimestre de 2020 tivemos um fluxo maior na receita pela entrada de um produto de seguros, vendido junto ao Pronampe, que era um fundo da Caixa para resgatar empresas na pandemia.

Olhando ano contra ano, surge uma queda muito forte de receita agora, mas considerando que o ano passado foi muito especial. No segundo trimestre de 2020, bastante afetado pela pandemia, a Wiz teve um lucro líquido de R$ 34 milhões. E agora no terceiro trimestre de 2021, não fosse pela saída de um dos nossos executivos, nosso lucro teria sido de R$ 42,2 milhões.

InvestNews- Então a Wiz ainda depende da Caixa para gerar receita?

Heverton Peixoto – Eu não chamaria de dependência, mas de uma receita que vai perdurar nos próximos 10 a 12 anos. Ela corresponde entre 20% e 30% da receita da Wiz, que é a carteira imobiliária e de seguros de vida da Caixa, que já se estabilizou e deve continuar estável nesse período.

Além disso, fazem parte dos 30% da receita, contratos de prestação de serviços operacionais (BPO) com a Caixa, que são contratos pequenos e de longo prazo.

A agenda da Wiz é de crescimento. O objetivo é que, ao crescer, consigamos diluir a importância desses contratos, mas não vamos fazer isso de propósito. Aí seria burrice, né? Nossa ideia é crescer em outras linhas de negócio, de forma que os negócios com a Caixa percam importância.

InvestNews – Em relação às aquisições, até maio, a Wiz havia fechado 7 parcerias para diversificar receita. O que aconteceu desde então?

Heverton Peixoto – Os novos negócios da Wiz estão ganhando importância no presente e hoje representam 60% da nossa receita e continuam crescendo. A Wiz trabalha atualmente com 20 grupos empresariais, os mais importantes são esses sete: Inter Seguros, BMG, Caoa, Itaú Consórcios, Paraná Bancos, Banco de Brasília e o Santander.

Então nos últimos meses, a Wiz focou em consolidar estas parcerias e novas operações. Além disso, lançamos a BenTech, em sociedade com a “LG lugar de gente”, que é o melhor sistema de folha de pagamento do Brasil, uma joint venture que vai revolucionar a forma como os funcionários de uma empresa acessam crédito e seguros. Esse foi o último negócio anunciado pela Wiz e ainda está pendente de aprovação do Cade.

A BenTech vai facilitar a oferta de produtos financeiros e de seguros para os colaboradores das empresas, pessoas podem adiantar parte do salário ou do 13º, contratar seguros com opção de débito em folha salarial, entre outros.

No total, a Wiz Soluções tem 20 parceiros estratégicos. Destes, 8 são os negócios principais e públicos, 12 são parcerias operacionais que não podemos divulgar, mas que envolvem o trabalho com seguradoras, como regulação de sinistro, plataforma tecnológica, parceria de vendas, central de atendimento para bancos, entre outros.

Atualmente o BMG e Inter Seguros têm forte participação na nossa receita. BMG injetou R$ 59,1 milhões na Wiz, representando 27,8% da nossa receita bruta. E continua em uma implantação de projetos muito interessantes. Já o Inter Seguros está em período mais maduro, se consolidando como a principal plataforma de seguros do Brasil, com quase 1 milhão de clientes ativos.

Nosso vínculo com eles amadureceu e foi responsável por um aumento de 224,9% nas vendas de produtos de seguridade, R$ 22,7 milhões de receita, mas que não faz parte da nossa consolidação contábil. Mas a título de comparação, hoje Inter Seguros representaria 9% do faturamento da Wiz.

Então, no terceiro trimestre, BMG e Inter Seguros já aparecem na nossa receita. As outras seis aquisições, devem começar a ter resultados no último trimestre.

O Itaú, no segmento de consórcios, começa a aparecer na receita da Wiz no quarto trimestre deste ano, com forte impacto no começo de 2022. Já a parceria de financiamento imobiliário com Itaú deve render frutos no próximo ano, a partir do primeiro trimestre.

Santander e Banco do Brasil estão um pouco mais atrasados, e devem trazer impactos para a receita a partir do segundo trimestre de 2022. A nossa BenTech é provável que os frutos só apareçam no balanço em 2023.

E o Banco de Brasília ainda está pendente de aprovação do Banco Central, mas esperamos que em 2022 tenha um impacto muito forte na receita, superior a 25%.

InvestNews – Em agosto, a Wiz encerrou uma investigação interna envolvendo fraudes de executivos, da operação Canal Seguro da Polícia Federal. Recentemente vocês elegeram Antônio Cassio dos Santos como presidente do conselho, um expert em reestruturações. Tem relação com este incidente? O que a companhia ganha com ele no board?

Heverton Peixoto – A investigação na época foi muito positiva, foram 6 meses de revisão de processos, políticas e modus operandi da empresa, mais de 20 pessoas envolvidas, 9 mil e-mails abertos, e embora não identificamos atos ilícitos, foram encontradas diversas questões para melhoria, crescimento na estrutura de compliance que a companhia está comprometida a fazer.

A mudança do nosso presidente do conselho, que era um profissional com 20 anos de cargo e responsável pela criação da nossa unidade que atendia a Caixa, teve a ver com a procura de um presidente mais alinhado com os novos desafios que a companhia tem.

O antigo presidente do board trabalhou 20 anos na Wiz e 25 anos de história com o ecossistema Caixa. Quando você fica 25 anos em um mesmo universo, isso gera desconhecimento de novos ecossistemas.

Esta não é nenhuma crítica. Ele foi importantíssimo para a Wiz, já foi CEO da companhia, depois presidente do conselho. Mas o conhecimento e habilidade que ele tinha era de um ecossistema, e a Wiz optou por um presidente do conselho que converse melhor com o mercado, tenha networking, visão estratégica, experiência global, que ajude a Wiz com os desafios futuros.

InvestNews – A Wiz está capitalizada, com caixa de R$ 525,9 milhões até o terceiro trimestre. Quanto vai para dividendos e como pretendem utilizar estes recursos?

Heverton Peixoto – Nosso caixa hoje se divide entre pagamento de dividendos, pagamento do contrato com Banco de Brasília, que aguarda aprovação do Banco Central, e aquisição de novos negócios.

Hoje, R$ 300 milhões desse total estão salvos e protegidos para o fechamento com o Banco de Brasília. O valor de R$ 82,758 milhões será pago em dividendos aos acionistas agora em 25 de novembro. O montante é de cerca de R$ 0,51 por ação. E o valor restante, aproximadamente R$ 143,142 milhões, será destinado para investir em novas operações e aquisição de novos negócios.

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