A Nike está em negociações exclusivas para fornecer as bolas oficiais da UEFA Champions League (Liga dos Campeões masculina da Europa), em um movimento que pode tirar da rival Adidas um contrato mantido há 25 anos.

O acordo abrangeria as bolas utilizadas em todos os torneios masculinos de clubes da Champions League entre 2027 e 2031, segundo comunicado da UC3 — joint venture entre a UEFA e clubes europeus responsável pela comercialização e gestão dos direitos das competições. Os termos financeiros não foram divulgados.

A iniciativa é mais um passo da Nike para avançar sobre o território tradicional da Adidas. Há dois anos, a empresa americana superou a rival ao se tornar a principal fornecedora de uniformes das seleções nacionais da Alemanha, decisão que gerou críticas de autoridades em Berlim.

Apesar disso, a Adidas tem tido desempenho superior nos últimos anos, ganhando participação de mercado impulsionada pela forte demanda por modelos retrô de tênis, como o Samba, inspirado no futebol.

Enquanto isso, a Nike enfrenta dificuldades para retomar o crescimento das vendas em meio a seus esforços de reestruturação, com fraqueza especialmente na China e na marca Converse.

A Adidas confirmou por e-mail que não renovará a parceria como fornecedora oficial de bolas da Liga dos Campeões masculina da Champions League após a temporada 2026-27. A empresa alemã afirmou que continuará produzindo bolas para clubes e torneios, incluindo a Eurocopa e a Liga dos Campeões feminina.

“Com nosso portfólio único de jogadores, clubes e federações, continuaremos altamente visíveis sempre que o futebol estiver em destaque — inclusive na Liga dos Campeões”, disse a Adidas.

A Nike, por sua vez, recusou comentar.

Para analistas da Bloomberg Intelligence, substituir a Adidas após 25 anos reforça o posicionamento competitivo da Nike e pode impulsionar a demanda global por seus produtos ligados ao futebol. O movimento é visto como mais um passo positivo na estratégia de recuperação da companhia.

As ações da Nike subiam 0,8% por volta das 11h55 em Nova York, revertendo perdas anteriores, enquanto os papéis da Adidas recuavam cerca de 0,4% no pregão desta quinta-feira.