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A Anheuser-Busch InBev, controladora da Ambev, vai recomprar uma participação de 49,9% em suas fábricas de embalagens metálicas nos Estados Unidos de um consórcio de investidores institucionais liderado e assessorado pela Apollo Global Management, em uma operação estimada em cerca de US$ 3 bilhões.

As operações das fábricas de embalagens metálicas incluem sete unidades em seis estados e formam um componente estratégico da cadeia de suprimentos da companhia nos EUA, informou a AB InBev em comunicado. A fabricante das cervejas Stella Artois e Budweiser financiará a aquisição com caixa próprio.

A maior cervejaria do mundo havia vendido essa participação à Apollo por US$ 3 bilhões em 2020, em um acordo voltado à redução de dívida, que havia disparado após a aquisição da rival SABMiller em 2016.

As ações da AB InBev caíam pouco mais de 1% no início do pregão. O papel acumulou alta de quase 14% em 2025.

As cervejarias enfrentam atualmente um ambiente desafiador em todos os mercados, com consumidores reduzindo gastos e com os efeitos das tarifas começando a se fazer sentir. No ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas elevadas sobre aço e alumínio, afirmando que as medidas tinham como objetivo garantir o futuro da indústria siderúrgica americana.

Na terça-feira, a AB InBev afirmou que, ao retomar o controle total de suas fábricas, garantirá “qualidade, eficiência de custos, rapidez na inovação e segurança no abastecimento para nossas marcas, ao mesmo tempo em que oferece empregos industriais de ponta e impulsiona o crescimento econômico em comunidades de todo os EUA”.

“É provável que a AB InBev esteja assegurando a qualidade de ativos-chave de embalagens nos EUA como consequência das tarifas sobre o alumínio”, disse Duncan Fox, analista sênior de indústria da Bloomberg Intelligence.

O negócio se assemelha mais a uma “recompra de dívida”, segundo Trevor Stirling, analista do Bernstein, que acrescentou que a operação também é um “sinal de confiança no fluxo de caixa subjacente da empresa e em seu processo de desalavancagem”.

No ano passado, a AB InBev iniciou um programa de recompra de ações de US$ 6 bilhões, mesmo enfrentando um terceiro trimestre desafiador, marcado por vendas de cerveja abaixo do esperado.

A operação envolvendo as embalagens metálicas deve ser concluída no primeiro trimestre deste ano.

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