Na prática, foram implementados direitos antidumping — tarifas extras aplicadas quando produtos importados entram no país a preços considerados desleais, geralmente sustentados por subsídios — sobre as importações de aço pré-pintado da China e da Índia, válidos por cinco anos.
Além disso, o governo impôs uma tarifa provisória de 25%, por 12 meses, sobre nove códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) adicionais de aço, numa tentativa de fechar brechas que vinham permitindo a entrada de produtos importados a preços artificialmente baixos.
A indústria argumenta que “não se trata de mero protecionismo”, nas palavras de Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, entidade que representa os interesses da indústria siderúrgica do país
Segundo o dirigente, havia uma necessidade de apertar ainda mais as medidas antidumping. “Em 2025, entrou no Brasil o equivalente a 25% das nossas vendas anuais de aço”, lembra Lopes, em conversa com o InvestNews. “Todo o mecanismo que for acrescentado no sentido de tentar travar essas importações predatórias, a gente vê de forma positiva. Não é protecionismo, é defesa comercial.”
CSN e Usiminas
Relatórios de Bank of America (BofA) e Itaú BBA apontaram que a restrição extra imposta pelo governo federal pode ajudar especialmente CSN e Usiminas. No entando, os analistas indicam que ainda podem existir brechas que possam mitigar os efeitos do anúncio do governo.
O Itaú BBA diz que a imposição de tarifas antidumping pode fazer com que o setor siderúrgico brasileiro opere sob uma estrutura de defesa comercial mais abrangente e que isso pode criar um ambiente de preços mais favorável.
“[A medida antidumping] apoiaria um reequilíbrio gradual, melhorando as taxas de utilização e criando um ambiente de preços mais favorável [para a indústria]”, aponta o banco. “É importante ressaltar que a Usiminas e a CSN se destacam como as principais beneficiárias, dada a alta exposição de seu mix de produtos aos itens atualmente sob investigação.”
Para o BofA, o direito antidumping de 25% sobre aço pré-pintado é positivo, sobretudo, para a CSN. Na visão dos analistas, a tarifa deve ajudar a reequilibrar a dinâmica da oferta, reduzindo a pressão de importações e sustentando os preços praticados pela companhia de Benjamin Steinbruch.
“Com base em nossa análise dos dados de importação da Secex, vemos a medida como altamente eficaz, já que a China responde por mais de 95% das importações de aço pré-pintado e seus preços são substancialmente mais baixos do que os de outros fornecedores”, dizem os analistas.
EUA
O presidente do Aço Brasil reiterou que o setor ainda busca um acordo para redução das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Itens como aço, alumínio, madeira e cobre ainda sofrem com tarifas na faixa de 50%.
“Continuamos no processo de negociar com os Estados Unidos e o governo brasileiro para a recomposição do acordo que a gente tinha e que existiu durante seis anos. O acordo foi benéfico tanto para a indústria siderúrgica brasileira como para a indústria siderúrgica americana”, aponta ele.