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A investigação envolvendo o empresário soteropolitano Nelson Tanure, de 74 anos, não deve afastá-lo da companhia elétrica Light, responsável por atender a 31 municípios do Rio de Janeiro. Apesar de estar se desfazendo de sua posição na Prio, segundo a agência Bloomberg, para pagar credores, os investimentos na Light devem ser preservados. O fundo WNT, ligado ao empresário, é o segundo maior acionista da companhia, com 18,9% de seu capital.

A Light conseguiu, recentemente, destravar a renovação de sua concessão no Rio de Janeiro junto ao Ministério de Minas e Energia. A decisão era aguardada com ansiedade pelos investidores, já que a empresa pretende realizar um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão em breve. Uma fonte com trânsito na companhia disse ao InvestNews que Tanure participará do aumento de capital, a fim de preservar sua participação na empresa. A companhia aguarda a publicação do decreto de renovação da concessão e a expectativa é que o aumento de capital ocorra até 90 dias após isso.

Tanure investe na Light desde 2023. Em pouco tempo, acumulou cerca de 30% da companhia por meio do fundo WNT e assumiu as rédeas das negociações com credores e com órgãos públicos. A empresa, na época, sofria pressão do governador Cláudio Castro, que cobrava melhorias e modernizações por parte da distribuidora de energia elétrica. 

“A recuperação judicial foi muito bem sucedida. A negociação toda foi liderada pela atual administração e pelo Tanure, como acionista de referência. Ele merece respeito e consideração. Ele participou de todas as reuniões, é um conselheiro presente e tudo mais”, disse o empresário Ronaldo Cezar Coelho, principal acionista da Light atualmente (com cerca de 20% da empresa), em entrevista concedida ao InvestNews em outubro de 2025.

Após ganhar a confiança dos sócios na companhia, Tanure também nomeou aliados para cargos na diretoria e no conselho. No fim de 2025, dois de seus indicados deixaram a elétrica. O então diretor financeiro da Light, Rodrigo Tostes, deixou a posição para se dedicar a seu cargo de diretor no Flamengo. Também indicada por Tanure, a conselheira Karla Maciel abdicou do cargo em 29 de dezembro. Ambos criaram um vínculo quando o empresário assumiu o controle da Alliar, hoje Alliança – Maciel era uma das executivas financeiras da companhia.

Entre junho e setembro de 2025, o fundo WNT reduziu sua participação na Light, o que abriu espaço para o Samambaia, fundo de Cezar Coelho, recuperar a posição de principal acionista da companhia elétrica.

Passada a novela sobre a renovação da concessão, a Light pretende levantar até R$ 12 milhões, segundo fontes, para investir em melhorias de suas linhas de distribuição para mitigar as perdas por desvios na rede.

Prio 

Segundo a Bloomberg, o veterano investidor abriu mão de quase toda a sua participação na Prio, petrolífera considerada a joia da coroa de seu império, para pagar credores. Tanure detinha uma fatia de cerca de 20% da empresa. Mais de 17% da empresa foram dados como garantia para um empréstimo do Credit Suisse e essa posição foi desfeita no ano passado pelo UBS quando comprou o banco e buscou reduzir a exposição ao empresário. Quase todas as ações restantes de Tanure na Prio foram vendidas para pagar outras dívidas, acrescentaram as fontes.

Conhecido por suas investidas oportunistas em ativos estressados, Tanure enfrenta uma crise de crédito perante à queda das ações de muitas de suas empresas e ao escrutínio sobre seus laços com o Banco Master, liquidado sob acusação de fraude.