A Amazon anunciou nesta quarta-feira (28) que vai cortar 16 mil posições corporativas como parte de um esforço para eliminar camadas de burocracia, reduzir níveis de gestão e “aumentar o senso de responsabilidade” dentro da empresa. Com isso, a gigante do comércio eletrônico se torna a mais recente a mirar cargos gerenciais em uma onda de demissões nos Estados Unidos que vem se espalhando por diversos setores.

Os cortes elevam para cerca de 30.000 o total de empregos eliminados pela Amazon em um período de três meses, após uma primeira rodada anunciada em outubro, quando a empresa informou que cortaria aproximadamente 14.000 vagas. No conjunto, as demissões representam quase 10% da força de trabalho corporativa da companhia.

No fim de 2024, a Amazon empregava cerca de 1,55 milhão de pessoas em todo o mundo, sendo aproximadamente 350.000 funcionários corporativos e outros 1,2 milhão em armazéns e centros de distribuição. Assim, os cortes mais recentes correspondem a cerca de 4,6% da força de trabalho corporativa.

Em publicação no blog da empresa, Beth Galetti, vice-presidente sênior de Experiência de Pessoas e Tecnologia, afirmou que os funcionários baseados nos Estados Unidos terão 90 dias para buscar uma nova posição internamente, além de acesso a pacotes de rescisão e apoio à transição.

“Temos trabalhado para fortalecer nossa organização ao reduzir níveis hierárquicos, aumentar o senso de responsabilidade e remover a burocracia”, disse Galetti. Ela acrescentou que “não é nosso plano” anunciar cortes amplos de pessoal a cada poucos meses e que a empresa continuará a “fazer ajustes conforme apropriado”.

Os funcionários foram informados sobre as demissões na manhã de quarta-feira, embora alguns já tivessem recebido aviso prévio. A vice-presidente sênior Colleen Aubrey chegou a agendar antecipadamente uma reunião interna intitulada “Project Dawn” (Projeto Aurora), que mencionava “colegas impactados” nos EUA, Canadá e Costa Rica. O e-mail, que dizia que “mudanças como esta são difíceis para todos”, se espalhou rapidamente por fóruns internos e redes sociais como o Reddit.

O presidente da companhia Andy Jassy vem afirmando repetidamente que pretende reduzir os níveis de gestão, que cresceram excessivamente após a forte onda de contratações durante a pandemia. No ano passado, ele também alertou os funcionários de que o avanço da inteligência artificial deve levar a uma redução gradual da força de trabalho, à medida que a Amazon automatiza mais operações.

A iniciativa da Amazon ocorre em meio a um movimento mais amplo no setor corporativo. No ano passado, a Microsoft demitiu milhares de trabalhadores com foco na redução de cargos gerenciais; o Nissan Group of North America cortou 20% dos postos de alta gestão; e a Amtrak reduziu cerca de 20% de sua cúpula administrativa.

Na mesma semana do anúncio da Amazon, a ASML Holding, gigante europeia de máquinas para fabricação de chips, informou que está eliminando 1.700 vagas, em grande parte ligadas à gestão. Outras empresas de tecnologia também iniciaram o ano com cortes: a Meta Platforms disse que eliminará mais de 1.000 empregos na divisão Reality Labs; a Pinterest planeja reduzir menos de 15% de sua força de trabalho e diminuir espaço de escritórios; e a Autodesk anunciou o corte de cerca de 1.000 postos de trabalho.