O Walmart, que ocupava a liderança em faturamento há mais de uma década, informou nesta quinta-feira (19) vendas de US$ 713,2 bilhões nos 12 meses encerrados em 31 de janeiro. A Amazon, cujo ano fiscal termina em dezembro, havia divulgado no início do mês receita de US$ 717 bilhões em 2025.
Bezos estudou cuidadosamente o fundador do Walmart, Sam Walton, adotando várias de suas estratégias de negócios ao construir a Amazon. Na última década, a receita da Amazon cresceu a um ritmo quase dez vezes maior que o do Walmart, impulsionada pela migração do consumo das lojas físicas para os sites e pelo rápido crescimento da divisão de computação em nuvem, a Amazon Web Services (AWS).
Amazon e Walmart disputam diretamente os gastos dos consumidores. A Amazon é a maior varejista online, com site e aplicativos que atraem cerca de 2,7 bilhões de visitas por mês. O Walmart é o maior varejista físico do mundo, com mais de 10 mil lojas e clubes de compras globalmente. Ambas as empresas geram a maior parte de sua receita nos Estados Unidos.
O Walmart tem tido mais sucesso no desenvolvimento de sua operação de e-commerce do que a Amazon na criação de um negócio relevante de lojas físicas, mesmo após a aquisição do Whole Foods Market em 2017.
Mas a liderança em receita está muito ligada ao domínio da Amazon em computação em nuvem, área em que o Walmart não compete. Sem a AWS, a receita da Amazon em 2025 teria sido de US$ 588 bilhões. Ou seja, sua ascensão está fortemente associada à importância dos data centers como infraestrutura crítica na era da inteligência artificial.
“É uma vitória oca”, disse Kirthi Kalyanam, diretor executivo do Retail Management Institute da Universidade de Santa Clara. “A Amazon não venceu o Walmart no jogo do varejo. Ela apenas os superou em receita ao lançar um novo negócio em que o Walmart não atua.”
Ser a maior empresa do mundo em receita representa sobretudo escala e alcance junto aos consumidores, mas não necessariamente é o principal critério valorizado pelos investidores. Antes do Walmart, Exxon Mobil e General Motors já ocuparam essa posição, que costuma trazer maior escrutínio político e expectativa por parte dos clientes. Já a Nvidia é hoje a empresa mais valiosa do mundo, com valor de mercado de US$ 4,5 trilhões — mais que o dobro da Amazon e mais de quatro vezes o do Walmart.
Bezos, que superou o cofundador da Microsoft, Bill Gates, como a pessoa mais rica do mundo em 2017, atualmente ocupa a quarta posição no ranking global, com patrimônio estimado em US$ 228 bilhões, majoritariamente vinculado à sua participação acionária na Amazon, segundo o Bloomberg Billionaires Index.