A Americanas confirmou nesta quinta-feira (19) que encerrou, no fim de 2025, as atividades de sua unidade no Shopping Iguatemi São Paulo – um dos contratos de locação mais antigos do empreendimento de luxo.

A varejista ocupava, desde 1981, um dos pontos mais nobres do shopping, na entrada principal voltada para a avenida Faria Lima. À época da inauguração da loja, a Americanas tinha outro posicionamento de mercado, e a própria Faria Lima ainda estava longe de se consolidar como o epicentro financeiro e de luxo que se tornaria nas décadas seguintes.

O fechamento passou praticamente despercebido e só veio à tona após a publicação da notícia pela colunista Mônica Bergamo nesta quinta-feira. O movimento, no entanto, encerra uma disputa silenciosa entre locador e locatário.

Nos últimos anos, não era segredo no mercado que a Americanas havia se tornado um inquilino incômodo para o Iguatemi. O espaço, com mais de 1.500 metros quadrados no térreo, era há tempos alvo do interesse do grupo da família Jereissati.

Com tíquete médio inferior ao das demais operações e apelo mais popular, a presença da varejista passou a destoar do perfil cada vez mais sofisticado do shopping, que abriga marcas como Chanel, Balenciaga e Tiffany & Co. Não por acaso, a unidade adotava uma comunicação visual mais sóbria, com logotipo em preto, em contraste com o tradicional vermelho da rede.

Tentativa de despejo

Em 2024, o Iguatemi ingressou com ação de despejo por atraso no pagamento de aluguéis, movimento interpretado no mercado como a brecha jurídica para retomar o ponto.

Desde que a fraude bilionária da varejista veio a público, em janeiro de 2023, a eventual saída da Americanas passou a ser vista como uma questão de tempo – e como oportunidade para a administração do Shopping Iguatemi reconfigurar seu mix de lojas.

Embora tenha desempenhado por décadas o papel de âncora tradicional, responsável por gerar fluxo relevante de consumidores, a estratégia recente do Iguatemi – que inclui expansão do empreendimento e atração de marcas internacionais – tornou sua permanência um desalinhamento crescente.

Oficialmente, as empresas afirmam que o encerramento ocorreu em comum acordo e que a relação entre os grupos permanece saudável em outros shoppings da rede. O espaço deixado pela Americanas deverá ser ocupado por um novo parceiro.