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Após Brumadinho, investidor pressiona mineradoras por transparência

Rompimento da barragem deixou 270 vítimas. O Ministério Público de Minas Gerais denunciou 16 pessoas Vale e da Tüv Süd pela tragédia.

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Por Estadão Conteúdo

A tragédia de Brumadinho (MG), após o rompimento da barragem da Vale há um ano, foi gatilho para investidores estrangeiros pressionarem as mineradoras por maior transparência e segurança. Capitaneado pelo fundo de pensão The Church of England, um grupo de 110 investidores com mais de US$ 14 trilhões sob gestão questionou 727 mineradoras sobre suas barragens.

O rompimento da barragem deixou 270 vítimas.

LEIA MAIS: 1 ano de Brumadinho: Vale recupera valor, mas ainda carrega estigma da tragédia

Na última sexta-feira (24), foi divulgado o primeiro resultado do movimento: a criação de um banco de dados global com informações de 1.939 barragens. Até o fim do primeiro semestre, deve sair do papel um código de melhores práticas para o armazenamento de rejeitos, com a definição de um padrão internacional.

Protagonista da tragédia, a Vale sentiu na pele a reação de investidores. O Church of England se desfez das ações da mineradora. O megafundo de pensão californiano Calpers, com portfólio de US$ 402 bilhões, vendeu todos os bonds (títulos de dívida) da companhia após o rompimento da barragem, ressaltando os custos e penalidades a que a empresa será submetida por causa do desastre.

Líder em investimentos integrados ao desenvolvimento social, ambiental e de governança, a gestora holandesa Robeco pôs a Vale em uma lista de empresas com restrições de investimento.

Consultados pela reportagem, Church of England e Robeco afirmaram que ainda é cedo para pensar em reinvestir na mineradora brasileira. O Calpers não comentou.

“A Vale continua na nossa lista de exclusão. Os acidentes na empresa foram severos. Só ficaremos confortáveis em revisar nosso posicionamento após a Vale ter descomissionado (fechado) todas as barragens em situação de risco em suas operações e tenha de fato implementado uma gestão ambiental de acordo com os padrões a serem estabelecidos pela iniciativa de investidores globais para a segurança no setor”, disse a gestora da Robeco para Brasil, Daniela da Costa-Bulthuis.

“Não temos planos de afrouxar nossa restrição de investimento na companhia. Ainda há um longo caminho antes de considerarmos voltar a investir na Vale”, afirmou o diretor de ética e engajamento do Church of England, Adam Matthews .

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou 16 pessoas da Vale e da empresa alemã de auditoria Tüv Süd pelo crime ambiental.

Responsabilidade

Sob os holofotes do Fórum Econômico Mundial de Davos, os critérios socioambientais de investimento têm sido uma das causas do elevado desconto do preço das ações da mineradora brasileira em relação às suas principais rivais, as australianas BHP Billiton e Rio Tinto.

Relatório recente do Citi apontou que 50% dessa diferença – de 20% a 30% no valor dos papéis, dependendo critério de análise – se deve justamente a questões ambientais, sociais e de governança.

O diretor de ratings corporativos da agência de classificação de risco Fitch, Phillip Wrenn, afirmou que são esses fatores que impedem a Vale de ter um rating corporativo mais alto. “O acidente de Brumadinho ocorreu, apesar da administração afirmar que nunca mais haveria um rompimento na barragem semelhante à ocorrida na Samarco – uma joint venture entre Vale e BHP Billiton”, disse.

Para ele, há ainda preocupações com o gerenciamento de resíduos e materiais perigosos, além da resistência social aos projetos da mineradora, sejam eles novos ou expansões.

Para Daniela, da Robeco, Brumadinho ampliou o foco do impacto socioambiental da mineração. Um ano depois da tragédia, disse ela, a ação de investidores já refletiu em maior abertura das mineradoras para falar sobre os riscos ambientais embutidos na atividade.

Sabendo dessa pressão, a Vale dedicou boa parte do Vale Day, encontro com analistas de mercado realizado no fim do ano passado, em Nova York e Londres, para apresentar seu plano estratégico para os próximos anos.

Entre as prioridades, segundo a mineradora, estão reparar integralmente as consequências de Brumadinho e estabelecer um novo pacto com a sociedade, adotando metas envolvendo mudança climática, energia e florestas. A companhia informa que também lançou um portal voltado a dar transparência às suas ações ambientais, expondo problemas e avanços.

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