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Após veto dos EUA, Nvidia prepara lançamento de novos chips para China

Empresa também mira em ‘novas áreas’ e já vê mudanças de demanda em outros mercados após restrições no país asiático, diz diretor.

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Salto de 206% nas receitas, previsão de ganhos acima do esperado para o 4º trimestre e reforço da dominância em um segmento que se tornou o assunto do momento: inteligência artificial. Nem a junção desses fatores no último balanço tem sido suficiente para segurar a queda das ações da Nvidia (NVDC34) nas últimas semanas, e não somente por causa da disparada nos meses anteriores. O mercado tem se mostrado preocupado com o impacto das restrições dos Estados Unidos à China.

Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina (Foto: Divulgação)
NVIDIA (Foto: Divulgação)

E, mesmo que mantenha o otimismo com previsão de alta nas receitas, a empresa sabe disso. Tanto que já prepara o lançamento de chips voltados para o mercado chinês, concebido para passar pelo crivo das autoridades norte-americanas antes de chegar ao país asiático. Isso porque, em meio à “guerra tecnológica” entre EUA e China, as empresas norte-americanas foram proibidas de vender tecnologia considerada estratégica ao mercado chinês – o que inclui a Nvidia e seus produtos. 

Foi o que comentou Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para América Latina, em entrevista ao InvestNews. “Vamos lançar novas GPUs (unidades de processamento gráfico) e muita otimização de softwares para continuar atendendo os mercados onde hoje nos impuseram a ordem de não vender as melhores para eles.” O lançamento ainda não foi feito oficialmente pela empresa.

“Sabemos da importância da soberania de um país, mas somos uma empresa que tem que continuar atendendo os nossos clientes e vamos fazer isso sempre.”

Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA.

Além disso, a Nvidia mira em “novas áreas” de outros mercados, com o objetivo de mitigar os impactos de uma possível queda nas receitas após a restrição dos EUA ao mercado da China. 

“Devido a essa alta demanda, a gente também tem tido uma oportunidade desses chips que até então seriam destinados aos clientes que estão na China para outras regiões”, acrescenta Aguiar, mencionando o “compromisso da Nvidia de acelerar a entrega de chips para o Japão, para outros países da União Europeia”.

Apesar de olhar para esses outros mercados, a expectativa não é compensar totalmente a suspensão do que seria vendido para a China após a restrição dos EUA, dado o tamanho daquele mercado. A ideia da Nvidia para se reinventar, então, não é focar apenas em “novos mercados”, mas principalmente em “novas áreas”. 

Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina (Foto: Divulgação)
Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina (Foto: Divulgação)

“A gente começou a ver, por exemplo, bancos de investimento, nunca tínhamos visto, comprando, fazendo grandes aportes de inversão nas nossas GPUs, que é para alimentar todas as empresas nas quais eles investem. Então é um novo tipo de cliente que nós nunca tivemos.”

O diretor se mostra otimista quanto à capacidade da empresa em se adaptar às novas realidades de mercado – incluindo até as questões geopolíticas que incluam determinações de autoridades. “Vamos cumprir com toda e qualquer regra imposta à Nvidia, não só a ela também a todos os parceiros do ecossistema com sanções de não poder vender para lá. E a sabemos que somos seres humanos. Aos poucos, as empresas vão se reinventando”, diz Aguiar. 

Mas os outros mercados existem 

Apesar de o foco da nova estratégia após sanções à China ser mais em “outras áreas” do que em “outro mercados”, as mudanças já impactam a dinâmica da empresa em outros países. 

“Como a China, sim, estava comprando numa quantidade e frequência muito grande, acabava que, por exemplo, nosso prazo de entrega para um país europeu estava mais demorado. Já que não posso vender lá, hoje consigo te entregar aqui mais rápido. Estamos conseguindo balancear isso muito bem”, conta Aguiar. 

O diretor emenda que a migração de fábricas de grandes empresas da China para outros locais também já mexe com a demanda do mercado – que tem se refletido, por exemplo, num aumento da procura de empresas do México pelos recursos da Nvidia. 

Fábrica da NVIDIA (Foto: Divulgação)
Fábrica da NVIDIA (Foto: Divulgação)

“Por exemplo, o México começa a receber muitas empresas multinacionais para montarem suas fábricas, suas infraestruturas de produção para atender todo esse continente americano. São os movimentos de nearshore. Isso tem permitido também a nós vender muito. Temos visto uma demanda muito grande no México.

Mas bater a demanda gigante da China não é tarefa simples. “Obviamente, o volume de consumo ainda não chega aos pés do que estava acontecendo lá na China, por ser um mercado muito mais maduro. E as empresas ainda estão se reestruturando”, complementa Aguiar. 

O tipo de demanda também muda. Na China, os grandes clientes da Nvidia eram do mercado de educação e pesquisa. “As universidades investiram muito nas nossas GPUs e softwares, têm grandes data centers”, conta o diretor. Enquanto isso, na América Latina, o mercado “está mais voltado à área de manufatura, principalmente para a indústria automotiva”.

Números da empresa

A Nvidia registrou receita recorde de US$ 18,12 bilhões para o terceiro trimestre. O número representa um aumento de 206% em relação ao ano passado e de 34% em relação ao trimestre anterior. Além disso, a empresa projeta um crescimento de 231% do faturamento no próximo balanço.

Ainda assim, há analistas que se mostram preocupados com a questão do mercado chinês – o que ajuda a explicar a queda perto de 10% da ação na Nasdaq desde a divulgação dos resultados.

De qualquer maneira, o números surpreenderam positivamente o mercado, como os analistas do Santander. “A Nvidia divulgou resultados robustos no 3T23, superando com folga as expectativas do mercado”, escreveram em relatório, destacando a disparada de 279% das vendas no segmento de data centers, representando 80% do total das receitas. 

Os especialistas do BTG também avaliaram a empresa positivamente e, assim como o Santander, mantêm o papel em sua carteira de ações estrangeiras recomendadas.

“Estamos otimistas com os desenvolvimentos recentes no campo da inteligência artificial e large language model (LLM), com a Nvidia sendo uma das maiores beneficiárias”

BTG, em relatório.

Jesse Cohen, analista financeiro sênior do Investing.com, afirma que “os investidores ficaram querendo mais da Nvidia, que segue um padrão mais elevado do que quase todas as outras empresas de tecnologia, devido ao seu notável desempenho acumulado no ano”.

“Embora os resultados surpreendentes do terceiro trimestre e a forte orientação ressaltem a sua posição dominante com o frenesi da inteligência artificial (IA), está cada vez mais difícil impressionar os investidores, dada a valorização das ações este ano”, explica Cohen, e emenda: “Os investidores parecem estar preocupados com o impacto negativo da ampliação das restrições dos EUA às vendas de seus chips de alta qualidade para a China.”

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