Mais de um ano após a tentativa de Elliott Hill de revitalizar a Nike, a marca de tênis Converse segue em queda livre, com vendas caminhando para o menor nível em 15 anos.

Um possível interessado já surgiu: a Authentic Brands Group demonstrou interesse em comprar a Converse caso ela seja colocada à venda, segundo pessoas com conhecimento do assunto. O interesse não é novo, mas a Nike ainda não iniciou conversas com o grupo, dono de marcas como Reebok e Champion, nem houve proposta formal.

Desde que Hill assumiu como CEO da Nike, em outubro de 2024, os problemas da Converse se intensificaram, mesmo com melhora no desempenho geral da empresa. No último trimestre, as vendas da marca devem ter caído cerca de 26% na comparação anual, segundo estimativas de analistas. Embora Hill tenha trocado recentemente o comando da Converse, ele já afirmou que pretende manter a marca no portfólio.

“Tenho ouvido os rumores e até recebido algumas ligações”, disse Hill em entrevista à Bloomberg TV em fevereiro. “Mas estamos comprometidos com a marca Converse.”

As ações da Nike subiam 1,7% nas negociações da manhã em Nova York. A empresa divulga resultados após o fechamento do mercado, incluindo atualizações sobre o desempenho da Converse e o impacto das vendas de fim de ano. Desde o retorno de Hill, o papel acumula queda de cerca de 35%.

Authentic Brands

A Authentic Brands, por sua vez, é conhecida por buscar aquisições de marcas globais e impulsionar suas vendas por meio de licenciamento e parcerias operacionais. Foi essa estratégia que aplicou com a Reebok, comprada em 2022 da Adidas por US$ 2,5 bilhões. Desde então, as vendas no varejo da marca cresceram cerca de 50%, para US$ 5,6 bilhões anuais.

A Converse, sediada em Boston, respondeu por menos de 3% da receita total de US$ 12,4 bilhões da Nike no trimestre encerrado em novembro. Apesar de pequena, a unidade tem prejudicado os esforços de Hill para retomar o crescimento da companhia, especialmente em meio à melhora de outras áreas do negócio.

Parte da resposta da Nike ao fraco desempenho foi reduzir investimentos na marca, incluindo cortes de 44% em marketing e outras despesas no segundo trimestre fiscal. A empresa também promoveu demissões e reestruturou a operação da Converse.

“Continuamos acreditando na força da marca Converse e nas medidas adotadas para retomar o crescimento”, disse a Nike em comunicado recente.

Fundada em 1908, a Converse construiu sua identidade em torno do icônico tênis Chuck Taylor, originalmente criado para o basquete e depois transformado em um produto casual. Ao longo dos anos, a empresa tentou modernizar o modelo — inclusive com a versão Chuck II, com tecnologia da Nike —, mas sem sucesso comercial relevante.

Para analistas, a marca perdeu força por falta de inovação e dependência excessiva de um único produto. “A Converse encolheu ao longo do tempo porque não trouxe novidades”, disse Laurent Vasilescu, do BNP Paribas.

A Nike comprou a Converse em 2003 por US$ 305 milhões, quando a marca enfrentava dificuldades financeiras. Desde então, a empresa se desfez de outras aquisições relevantes, mantendo a Converse como principal ativo secundário.

Mais recentemente, a marca tenta retomar relevância no basquete profissional, com o lançamento de tênis em parceria com o jogador Shai Gilgeous-Alexander. Parte das versões já está esgotada, e novos modelos devem chegar ao mercado.

Apesar disso, recuperar o protagonismo no esporte será um desafio após anos longe das quadras.