O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master, que vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária desde a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em 18 de novembro de 2025.

O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno, enquadrado no segmento S3 da regulação, tendo como instituição líder o Banco Master. Juntos, detinham 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

Na ocasião da liquidação do Banco Master, o BC havia considerado adequada a imposição do regimes especial ao Master Múltiplo, como forma de preservar o funcionamento da controlada Will Financeira. Entretanto, segundo o Banco Central essa solução não se mostrou viável. No dia 19 de janeiro de 2026, a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o arranjo Mastercard, levando ao bloqueio de sua participação no sistema de pagamentos.

Diante do comprometimento da situação econômico-financeira, da insolvência da instituição e do vínculo de interesse com o Banco Master, o Banco Central decidiu pela liquidação extrajudicial da Will Financeira.

Em nota, o BC disse ainda que continuará a apurar responsabilidades nos termos de sua competência legal. Os resultados das investigações podem resultar em medidas administrativas e comunicações às autoridades competentes, além da indisponibilidade dos bens dos controladores e ex-administradores da instituição.

Sobre Will Bank

Antes do anúncio do Banco Central, a bandeira Mastercard decidiu suspender transações com cartões emitidos pelo Will Bank, depois que operações realizadas por consumidores não foram honradas pelo banco junto aos participantes do arranjo de pagamento. A medida visava conter o aumento do valor devido pelo Will Bank. Dessa maneira, a Mastercard executou garantias relacionadas a dívidas da instituição e passou a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília).

O Will Bank foi criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, encerrou o primeiro semestre de 2025 com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.

O episódio ocorre em meio à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga fundos de investimento supostamente usados para inflar o patrimônio do Banco Master. Na segunda fase da operação, deflagrada na semana passada, foram alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do Master e do Will Bank, a familiares do banqueiro e a empresários, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da Reag – gestora investigada e suspeita de envolvimento com crime organizado.

Na primeira fase, em novembro, Vorcaro foi preso sob acusação de liderar um esquema de criação de carteiras falsas de crédito para inflar o patrimônio do Master e vender a instituição ao BRB.