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A BHP e a Rio Tinto, as duas maiores mineradoras do mundo, estão prestes a unir forças no polo de minério de ferro de Pilbara, na Austrália, para produzir até 200 milhões de toneladas do insumo usado na fabricação de aço a partir da próxima década.

As duas mineradoras vão avaliar uma colaboração em dois projetos, o depósito Wunbye, da Rio, e a mina Yandi, da BHP, para aumentar a produção no longo prazo, segundo dois acordos não vinculantes anunciados em comunicado conjunto nesta quinta-feira.

“Juntas, vamos estender a vida útil dessas operações”, disse no comunicado Matthew Holcz, CEO de Minério de Ferro da Rio. “Podemos aproveitar melhor a infraestrutura existente para destravar produção adicional com exigências mínimas de capital.”

Embora as gigantes da mineração estejam cada vez mais direcionando seus investimentos para o cobre e outros metais necessários à transição energética, elas ainda buscam formas de sustentar as receitas com minério de ferro. Grandes volumes do insumo para siderurgia continuam sendo necessários para atender à demanda de economias asiáticas em expansão, à medida que o boom de infraestrutura da China perde força.

A Rio é a maior produtora de minério de ferro em Pilbara, seguida de perto pela BHP, e juntas as duas produzem mais de 600 milhões de toneladas globalmente. As empresas afirmaram que os planos mais recentes se baseiam em um acordo firmado em 2023 que permitiu a mineração em algumas áreas com limites compartilhados.

O anúncio desta quinta-feira abrange dois memorandos de entendimento: um para estudar a colaboração no desenvolvimento do depósito ainda não explorado de Wunbye, da Rio, e outro para que a BHP forneça parte da produção de uma área ampliada da mina Yandi para processamento nas instalações da Rio.

A primeira produção dos projetos conjuntos deve ocorrer no início da próxima década, segundo as empresas. O volume de 200 milhões de toneladas refere-se à produção total, e o comunicado não detalhou a produção anual potencial.

Pilbara há muito tempo é o principal pilar da produção global de minério de ferro, enviando bilhões de toneladas para a China ao longo dos últimos 25 anos para alimentar o crescimento acelerado da economia do país. No entanto, mineradoras como Rio e BHP enfrentam minérios de qualidade mais baixa, o que se traduz em preços menores.

As empresas do setor buscam equilibrar crescimento com disciplina de capital e têm recorrido cada vez mais a formas de extrair eficiências da infraestrutura existente. Tanto a Rio quanto a BHP também tentaram vender ativos de infraestrutura não essenciais para liberar caixa.

Recentemente, a BHP vendeu uma participação relevante em sua rede de energia que abastece as operações de minério de ferro por US$ 2 bilhões à Global Infrastructure Partners, da BlackRock, para direcionar recursos a áreas prioritárias, como o cobre.

As ações da BHP subiam 3% em Sydney às 12h41 no horário local, enquanto as da Rio avançavam 0,8%, beneficiadas pela alta dos preços dos metais nesta semana.