A BHP voltou a procurar a Anglo American sobre uma possível oferta de aquisição, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. O movimento ocorre justamente quando a Anglo tenta aprovar sua fusão, em ações, com a Teck Resources, que criaria um grupo avaliado em mais de US$ 60 bilhões.

De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, a reaproximação da BHP tem um objetivo claro: desestabilizar a fusão Anglo–Teck, cuja votação pelos acionistas está marcada para 9 de dezembro. A BHP, que já tentou comprar a Anglo no ano passado por US$ 49 bilhões, estaria preparando uma proposta mais simples do que a anterior – que exigia que a Anglo se desfizesse de negócios antes da oferta formal.

Hoje, as ações da Anglo American subiram cerca de 17% no ano, avaliando a empresa em US$ 41,8 bilhões, enquanto a BHP perdeu valor de mercado desde sua investida anterior. Isso torna qualquer abordagem mais cara e politicamente sensível para a companhia australiana.

A atualização incorpora também mudanças estruturais relevantes: desde 2024, a Anglo já vendeu a operação de platina na África do Sul, um dos ativos que a BHP pressionava para que fosse descontinuado.

Do lado regulatório, o negócio Anglo–Teck ainda enfrenta entraves. O governo do Canadá tem pressionado a empresa a assumir garantias formais sobre empregos executivos e gestão da futura sede em Vancouver como condição para aprovar a fusão.

O acordo também inclui cláusulas que permitem receber ofertas alternativas e até a ruptura do negócio caso apareça uma proposta considerada superior — o que abre espaço formal para uma eventual oferta da BHP.

Fontes afirmam ainda que a BHP enfrenta pressões externas que podem afetar a negociação, incluindo tensões em torno das vendas de minério de ferro para a China e a expectativa de que o CEO Mike Henry possa deixar o cargo no próximo ano.

As negociações atuais seguem em estágio inicial e não há garantia de que resultarão em uma proposta formal. BHP e Anglo não quiseram comentar.