A NASA acaba de usar o foguete da Boeing para levar astronautas mais longe no espaço do que nunca. Ainda assim, o governo Trump já procura concorrentes para substituí-lo.

Cerca de uma semana antes de o Space Launch System (SLS), avaliado em US$ 24 bilhões, levar os quatro tripulantes da missão Artemis II ao redor da Lua, a NASA consultou empresas rivais para saber que alternativas poderiam oferecer ao ambicioso plano da agência para futuras viagens lunares.

Esse movimento, reforçado quase de imediato pelo pedido de orçamento da Casa Branca, lançou uma grande incerteza sobre o futuro do problemático foguete da Boeing, depois de cerca de uma década de desenvolvimento.

O foguete Space Launch System da missão Artemis II e a espaçonave Orion decolam da plataforma 39B, no Centro Espacial Kennedy, em 1º de abril.

O destino do programa — que pode movimentar dezenas de bilhões de dólares nos próximos anos — se tornou um teste importante para Jared Isaacman, o bilionário do setor de tecnologia financeira escolhido pelo presidente Donald Trump no ano passado para comandar a NASA, em sua tentativa de tornar a agência espacial mais rápida e eficiente. Ele aposta em novas empresas comerciais, como a SpaceX, para oferecer alternativas mais baratas aos sistemas caros desenvolvidos por nomes tradicionais como Boeing e Lockheed Martin.

“Como esse programa carrega tanta história, envolve contratadas, centenas de subcontratadas e dezenas de milhares de pessoas, ele é caro”, disse Isaacman em fevereiro. “Não é o veículo que você vai usar para ir e voltar da Lua algumas vezes por ano enquanto constrói uma base lunar, como o presidente quer.”

Essa rede de apoio — o programa Artemis tem fornecedores nos 50 estados americanos — ajudou o projeto a sobreviver a tentativas de encerrá-lo após anos de atrasos e estouros de orçamento. A tentativa do governo, no pedido orçamentário do ano passado, de começar a retirar de cena o SLS e a cápsula tripulada Orion, fabricada pela Lockheed, encontrou forte resistência no Congresso, onde parlamentares conseguiram barrar os cortes. Na semana passada, a Casa Branca indicou que tentará novamente buscar substitutos comerciais.

O futuro do foguete lunar da Boeing em xeque

Com o prazo de 2028 se aproximando para colocar astronautas na Lua antes de Trump deixar o cargo, e com a China planejando sua própria missão até o fim da década, Isaacman está sob pressão para entregar resultados. Embora fornecedores tradicionais como a Boeing tenham enfrentado dificuldades para cumprir prazos no passado, suas tecnologias já foram testadas. Já novos concorrentes, como SpaceX e Blue Origin, ainda não demonstraram que seus foguetes conseguem chegar à Lua.

Isaacman vem elevando a pressão.

Em fevereiro, anunciou que a NASA cancelaria o contrato bilionário da Boeing para uma versão mais potente do estágio superior do foguete SLS, apesar de anos de desenvolvimento. Em março, anunciou uma pausa no Gateway, a estação espacial planejada para orbitar a Lua, deixando parceiros internacionais e empresas envolvidas correndo para se adaptar. No lugar, apresentou planos para uma base na superfície lunar e uma agenda acelerada de missões para construí-la.