Em uma atualização antes da divulgação de resultados no próximo mês, a gigante de energia também sinalizou um desempenho fraco nas operações de trading de petróleo e produção estável no quarto trimestre, embora a dívida líquida tenha sido reduzida.
A atualização vem após a saída surpreendente do CEO Murray Auchincloss, que tentava reposicionar a empresa depois de anos de apostas mal sucedidas em iniciativas de baixo carbono e de pressão do acionista ativista Elliott Investment Management.
O novo chairman, Albert Manifold, disse que as mudanças não estavam acontecendo rápido o suficiente e nomeou a CEO da Woodside Energy Group, Meg O’Neill, para substituí-lo.

A petroleira sediada em Londres está se desfazendo de ativos não estratégicos, e essas vendas têm ajudado a reduzir a dívida. Ao mesmo tempo, resultados fracos no trading de petróleo e uma produção estagnada em um ambiente de preços mais baixos do petróleo vão aumentar a pressão sobre a capacidade da BP de manter o ritmo de recompra de ações.
O “próximo passo lógico” da empresa é interromper as recompras e “abrir espaço para uma desalavancagem adicional em um ambiente macro mais fraco”, escreveu o analista Biraj Borkhataria, do RBC, em relatório nesta quarta-feira, 14. As ações da companhia caíram % em Londres.
O’Neill assume em abril, com parte do trabalho preparatório para a reviravolta já encaminhado, e as baixas contábeis devem ajudar a “limpar” o balanço e oferecer um ponto de partida mais claro.
A BP não especificou quais ativos estão sendo baixados, mas seu portfólio de baixo carbono inclui uma joint venture global de eólica offshore com a Jera Co., além de solar, biocombustíveis e recarga para veículos elétricos. Borkhataria prevê que mais ativos poderão “ir para o corte”.
Em dezembro, a empresa concordou em vender uma participação majoritária na divisão de lubrificantes Castrol para a gestora americana Stonepeak Partners — um passo considerado crucial para reduzir a dívida e recentrar o negócio em combustíveis fósseis. No ano passado, a BP também anunciou uma série de partidas de novos campos de petróleo e gás.
Desinvestimentos
A BP disse que os US$ 5,3 bilhões em receitas de desinvestimentos em 2025 não incluem a Castrol. A venda da participação deve levantar cerca de US$ 6 bilhões, informou a empresa no mês passado. A companhia — que tem a maior alavancagem entre as grandes petroleiras — mira US$ 20 bilhões em vendas de ativos até o fim de 2027.

Os esforços de recuperação da BP fizeram as ações quase empatarem com as da Shell como o melhor desempenho, em dólares, entre as cinco maiores petroleiras no ano passado — mas a retomada começou a perder força em meados de novembro, e a empresa terminou o ano com alta de 10%. O resultado do terceiro trimestre veio acima das expectativas, em grande parte graças ao aumento da produção de petróleo e gás no período.
Agora, a reversão está sob ameaça da queda dos preços do petróleo, à medida que o mercado parece caminhar para um excedente de oferta — embora riscos geopolíticos tenham dado algum suporte às cotações. Mesmo com a turbulência recente na Venezuela e no Irã, o Brent (referência internacional) tem sido negociado abaixo de US$ 70 por barril, nível de que a BP precisa para cumprir suas metas de recuperação.
Tanto a Shell quanto a Exxon Mobil sinalizaram um quarto trimestre mais difícil. Na Europa, a concorrente TotalEnergies já reduziu suas recompras de ações no quarto trimestre e disse que o ritmo pode cair ainda mais em 2026, enquanto a companhia sediada em Paris enfrenta dívidas crescentes e um cenário desafiador para o mercado de petróleo.
Se a BP mantiver o nível atual de recompra de ações até a chegada de O’Neill, ela pode ter de lidar com a forma de financiar, de maneira orgânica, os pagamentos aos investidores em um ambiente de preços mais baixos do petróleo.