A crise financeira sem precedentes da Braskem já estaria afetando bancos credores. Nesta quinta-feira (12), durante a divulgação dos resultados de 2025, o Banco do Brasil afirmou que um calote de R$ 3,6 bilhões afetou seu nível de inadimplência no último trimestre do ano.

O BB revelou que um “caso específico” inflou o índice de atrasos acima de 90 dias para 5,17%. Sem o episódio, teria sido 4,88%. O impacto também reduziu o colchão de provisões do banco.

Horas depois, o Broadcast afirmou que a empresa em questão seria a Braskem, elevando a percepção de risco em torno do alto endividamento da petroquímica e reacendendo especulações sobre até onde pode ir a reestruturação de sua dívida – seja pela via extrajudicial ou judicial.

Após a notícia, as ações da Braskem caíram mais de 10% na B3, interrompendo uma sequência de altas que havia acumulado valorização de cerca de 20% em quatro pregões.

Empresa nega

No fim da tarde desta quinta-feira, a petroquímica negou que tenha deixado de pagar o Banco do Brasil.

“A Braskem esclarece que não possui, ou possuía em 2025, exposição financeira junto ao Banco do Brasil e que está adimplente com as obrigações financeiras mantidas com tal instituição financeira, não tendo ocorrido qualquer inadimplemento no referido período de 2025”, escreveu a empresa.

O episódio e o disse-me-diz jogou luz novamente sobre uma das fases mais delicadas da história da petroquímica. Segundo os dados mais recentes, a alavancagem da Braskem indica dívida líquida equivalente a 14,8 vezes o resultado operacional (Ebitda) – um nível praticamente impagável.

Troca de controle

A dívida bruta somava US$ 10,9 bilhões no fim de setembro, com endividamento líquido de US$ 7,1 bilhões. Além do balanço pressionado, a empresa vive há anos uma instabilidade societária ligada à crise da Novonor (ex-Odebrecht), sua atual controladora.

A solução desenhada passa pela entrada da gestora IG4 no lugar da Novonor, em uma operação que pode redesenhar o controle da companhia e ampliar o espaço da Petrobras, outra sócia relevante.

Na manhã desta quinta-feira, a estatal informou que não exercerá seu direito de preferência na transação, abrindo caminho para a IG4 assumir o controle. A etapa final depende agora de aval do Cade.