“Eu vendi cedo demais. Mas também comprei ainda mais cedo”, disse Buffett em entrevista à CNBC, ao comentar seu histórico com a fabricante do iPhone.
Mesmo após reduzir sua fatia, a Apple segue como a maior posição da Berkshire Hathaway, holding do investidor. No entanto, Buffett indicou que o papel ainda não atingiu um nível de preço considerado atrativo, apesar da recente queda — a ação acumula queda superior a 14% em relação ao pico recente e perdas de mais de 6% no mês.
O investidor ressaltou que, em um ambiente mais turbulento — com índices como o Dow Jones Industrial Average e o Nasdaq Composite em correção —, prefere manter cautela antes de voltar às compras. “Não é impossível que a Apple chegue a um preço em que compraríamos muito. Mas não neste mercado”, afirmou.
Apesar da postura mais conservadora no curto prazo, Buffett reforçou sua confiança na companhia. Segundo ele, a Berkshire já obteve mais de US$ 100 bilhões em ganhos antes de impostos com o investimento na Apple, consolidando a posição como uma das mais bem-sucedidas da história do grupo.
O investidor também fez elogios à gestão de Tim Cook, destacando sua capacidade de liderança desde que assumiu a empresa após a morte do fundador Steve Jobs. “Tim é um gestor fantástico e consegue se dar bem com todo mundo”, disse.
Vida de aposentado de Buffett
Buffett deixou o cargo de CEO da Berkshire no início de 2026, após mais de seis décadas à frente da companhia, mas segue como presidente do conselho — e uma das vozes mais influentes do mercado global.
Mesmo após deixar o cargo de CEO, Warren Buffett afirmou que segue diretamente envolvido nas decisões de investimento da Berkshire Hathaway. Aos 95 anos, o investidor disse que continua indo diariamente ao escritório e acompanhando de perto os mercados, trabalhando em conjunto com sua equipe.
Segundo Buffett, sua rotina inclui conversas antes da abertura do mercado com Mark Millard, diretor de ativos financeiros da companhia, que executa as operações a partir dessas discussões. Ele ressaltou que mantém uma atuação ativa mesmo após a transição do comando para Greg Abel no início de 2026. “Não faço nenhum investimento que Greg considere errado”, afirmou.
Buffett revelou ainda que realizou recentemente uma “pequena compra”, sem dar detalhes, e minimizou a volatilidade recente dos mercados. Para ele, o cenário atual está longe de momentos mais extremos do passado que abriram grandes oportunidades de compra.
Além disso, a Berkshire reforçou sua posição em ativos conservadores: a empresa adquiriu US$ 17 bilhões em títulos do Tesouro americano em um leilão recente. Ao fim do ano passado, o conglomerado acumulava mais de US$ 370 bilhões em caixa e equivalentes, grande parte aplicada nesses papéis.