Em Manila, nas Filipinas, uma loja da chinesa BYD registrou, em apenas duas semanas, o equivalente a um mês inteiro de pedidos. Clientes têm trocado carros a combustão por elétricos diante da alta nos combustíveis, segundo vendedores.
A cerca de 1.700 km dali, em Hanói, no Vietnã, concessionárias da VinFast quadruplicaram o fluxo de clientes desde o início da guerra, com vendas que dobraram em relação à média de 2025.
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Ainda sem dados consolidados de março, os primeiros sinais indicam que montadoras asiáticas de veículos elétricos estão entre as principais beneficiadas pela alta do petróleo.
O impacto é mais forte na Ásia-Pacífico, região altamente dependente das rotas do Golfo Pérsico – especialmente do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo global e que foi afetado pelo conflito.
“Preços mais altos de petróleo sempre aceleram a transição para veículos elétricos”, disse o economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento, Albert Park.
No ano passado, a adoção global de veículos elétricos evitou o consumo de cerca de 2,3 milhões de barris de petróleo por dia, segundo estimativas da BloombergNEF.
Não tão simples
Apesar da aceleração recente, analistas apontam que o crescimento sustentável ainda depende de infraestrutura – principalmente expansão da rede de recarga.
Antes mesmo da crise, a adoção de elétricos já avançava rapidamente na Ásia. Na China, mais da metade das vendas de veículos já inclui modelos elétricos ou híbridos plug-in. Em países do Sudeste Asiático, a penetração gira em torno de 40%, acima de mercados como Europa e Reino Unido.
O novo choque do petróleo pode acelerar ainda mais esse movimento. Na Tailândia, por exemplo, a indústria já projeta aumento significativo na demanda caso os preços se mantenham elevados.
Enquanto isso, governos começam a reagir: no Laos, taxas para veículos elétricos foram reduzidas em 30%, enquanto carros a combustão ficaram mais caros.
A China deve capturar boa parte desse crescimento como principal produtora global de elétricos, com exportações já em forte alta antes mesmo do conflito.
Montadoras tradicionais como General Motors, Ford e Honda, por outro lado, chegam menos preparadas — após desacelerarem investimentos em veículos elétricos diante da redução de incentivos nos Estados Unidos.