A montadora entregou 4,6 milhões de veículos no ano passado, alta de 7,7% em relação a 2024, segundo comunicado da empresa. O resultado ficou em linha com a meta anual que a BYD havia reduzido em setembro.
A BYD e suas rivais enfrentam pressão crescente no próximo ano, à medida que a China reduz alguns incentivos que sustentavam a compra de veículos elétricos. A chegada de novos modelos também torna a concorrência doméstica ainda mais acirrada, enquanto barreiras comerciais representam desafios para as ambições da BYD de expandir suas vendas no exterior.
A fabricante mais relevante da China enfrentou concorrência mais dura no último ano por parte da Geely Automobile Holdings e da Xiaomi, cujos novos modelos e um ritmo acelerado de inovação vêm conquistando consumidores.
O presidente-executivo da BYD, Wang Chuanfu, afirmou em uma reunião com investidores no início de dezembro que a vantagem tecnológica mantida pela empresa nos últimos anos diminuiu, afetando as vendas domésticas. Ele sinalizou novos avanços tecnológicos à frente e disse que a equipe de 120 mil engenheiros da companhia lhe dá confiança na capacidade de recuperar essa vantagem, segundo a mídia chinesa.
Um ponto positivo para a BYD tem sido o forte crescimento das vendas no exterior. As entregas fora da China atingiram 1,05 milhão de unidades em 2025.
A empresa estabeleceu como meta ampliar as vendas internacionais para entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de veículos em 2026, de acordo com relatório do Citigroup divulgado em novembro, que citou reunião com a administração da BYD.
A pressão sobre a BYD aumentou após a empresa registrar duas quedas consecutivas no lucro trimestral e se ver no centro dos esforços do governo chinês para conter descontos agressivos. O maior escrutínio tende a acelerar a consolidação do setor e a reorganizar sua hierarquia.
Ainda assim, analistas acreditam que a BYD está melhor posicionada do que concorrentes para atravessar o período difícil. As vendas totais da empresa podem crescer para 5,3 milhões de unidades no próximo ano, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
Analistas do Deutsche Bank esperam que novos lançamentos e a apresentação de uma plataforma tecnológica reforcem a competitividade da companhia. Isso poderia permitir que a BYD ampliasse sua vantagem sobre a Tesla, que enfrenta dificuldades próprias.
A montadora americana viu as vendas despencarem no início de 2025 enquanto reconfigurava as linhas de produção de suas fábricas para o Model Y redesenhado. O papel polarizado do diretor-executivo Elon Musk no governo Trump também afastou parte dos consumidores, e o fim dos subsídios federais nos EUA para a compra de veículos elétricos deve continuar pesando sobre a demanda.