As ações da gigante chinesa de veículos elétricos, listadas em Hong Kong, subiram no primeiro dia de negociação do ano, registrando uma alta de até 2,3%.
A BYD entregou um total de 4,6 milhões de veículos no ano passado, um aumento de 7,7% em relação a 2024. O número está em linha com a meta anual revisada para baixo divulgada pela empresa em setembro. A montadora sediada em Shenzhen vendeu quase a mesma quantidade de veículos totalmente elétricos — 2,26 milhões — quanto de híbridos plug-in.
A Tesla deve divulgar nesta sexta-feira (2) que entregou cerca de 440,9 mil veículos no quarto trimestre, queda de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela Bloomberg. Isso significaria que a empresa vendeu aproximadamente 1,66 milhão de carros no ano, registrando o segundo recuo anual consecutivo.
A BYD e suas rivais enfrentam uma pressão crescente no próximo ano, à medida que a China reduz alguns dos incentivos que sustentam a compra de veículos elétricos. A enxurrada de novos modelos também torna a concorrência doméstica ainda mais acirrada, enquanto barreiras comerciais impõem desafios às ambições da BYD de expandir suas operações no exterior.
A montadora mais vendida da China enfrentou concorrência mais dura no último ano por parte da Geely e da Xiaomi, cujos novos modelos e inovações rápidas vêm conquistando consumidores. As ações da BYD subiram 7% no ano passado, mas devolveram os ganhos de um rali inicial que havia levado os papéis a saltar até 74% até o fim de maio, à medida que a concorrência se intensificou e o escrutínio regulatório aumentou.
O CEO da BYD, Wang Chuanfu, afirmou em uma reunião com investidores no início de dezembro que a vantagem tecnológica mantida pela empresa nos últimos anos diminuiu, afetando as vendas domésticas. Ele sinalizou novos avanços tecnológicos à frente e disse que a equipe de 120 mil engenheiros da companhia lhe dá confiança na capacidade de recuperar essa vantagem, segundo a mídia chinesa.
Um ponto positivo para a BYD tem sido o forte crescimento das vendas fora da China. As entregas no exterior chegaram a 1,05 milhão em 2025, superando a estimativa mais alta, de 1 milhão de unidades, o que permitiu compensar o desempenho mais fraco em seu mercado principal. As vendas de veículos elétricos de passeio e híbridos caíram pelo oitavo mês consecutivo, com tombo de 37,7% em dezembro.
O Morgan Stanley afirmou em relatório que prevê uma recuperação doméstica mais significativa depois que a BYD lançar várias reestilizações importantes de sua linha no início de 2026.
A empresa estabeleceu como meta ampliar as vendas internacionais para entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de veículos em 2026, de acordo com relatório do Citigroup divulgado em novembro, que citou reunião com a administração da BYD.
A pressão sobre a BYD aumentou após a empresa registrar duas quedas consecutivas no lucro trimestral e se ver no centro dos esforços do governo chinês para conter descontos agressivos. O maior escrutínio tende a acelerar a consolidação do setor e a reorganizar sua hierarquia.
Ainda assim, analistas acreditam que a BYD está melhor posicionada do que concorrentes para atravessar o período difícil. As vendas totais da empresa podem crescer para 5,3 milhões de unidades no próximo ano, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg.
Analistas do Deutsche Bank esperam que novos lançamentos e a apresentação de uma plataforma tecnológica reforcem a competitividade da companhia. Isso poderia permitir que a BYD ampliasse sua vantagem sobre a Tesla, que enfrenta dificuldades próprias.
A montadora americana viu as vendas despencarem no início de 2025 enquanto reconfigurava as linhas de produção de suas fábricas para o Model Y redesenhado. O papel polarizado do diretor-executivo Elon Musk no governo Trump também afastou parte dos consumidores, e o fim dos subsídios federais nos EUA para a compra de veículos elétricos deve continuar pesando sobre a demanda.