Com a negativa, o processo pode transitar em julgado, mas não será arquivado antes do cumprimento e do monitoramento dos remédios impostos na aprovação — entre eles, a venda de 26 lojas. O presidente do Cade, Gustavo Augusto, explicou que o julgamento encerra a análise do mérito, mas ainda resta a fase de execução das medidas acordadas, como o desinvestimento.
A Petlove questionava especialmente o desenho da venda das lojas em São Paulo. Segundo a empresa, o acordo permitiria a alienação a mais de um comprador — eventualmente em momentos distintos — o que contrariaria o entendimento manifestado por conselheiros de que o desinvestimento deveria ocorrer para um único adquirente.
O relator, José Levi, afirmou que a possibilidade de mais de um comprador é apenas excepcional e prevê salvaguardas, não havendo contradição ou omissão. O entendimento foi acompanhado pelos demais conselheiros.
Anunciada em agosto de 2024, a fusão de Petz e Cobasi foi aprovada pelo Cade em 10 de dezembro, por maioria, com a imposição de remédios estruturais e comportamentais. A operação cria a maior rede de petshops do país, com mais de 480 lojas em cerca de 20 estados e faturamento da ordem de R$ 7 bilhões.
A Petz informou que o Acordo em Controle de Concentrações (ACC) prevê a venda de 26 lojas em São Paulo, o que representa 3,3% do faturamento da companhia combinada nos últimos 12 meses. O InvestNews apurou que o pacote de unidades a serem vendidas é dividido praticamente de forma igualitária entre Petz e Cobasi.
Competidora ativa
Desde a aprovação, a Petlove tem se movimentado para se colocar como uma alternativa natural na compra dos ativos que serão vendidos.
Em petição pública no processo, a empresa afirmou ter interesse no pacote de desinvestimentos e defendeu que seria o melhor comprador para fortalecer um rival capaz de competir com a companhia combinada.
Ao mesmo tempo, a Petlove sustentava que o remédio deveria ser ampliado. A empresa citou um estudo do departamento de estudos econômicos do Cade que identificou “40 locais” em que não teria sido possível afastar preocupações concorrenciais — cerca de 10% dos mercados em que Petz e Cobasi operam.
“Entendemos que esse remédio não é suficiente para criar um rival efetivo capaz de equilibrar o jogo competitivo”, disse a empresa em comunicado após a aprovação. Além da Petlove, outras duas companhias também manifestaram interesse nas lojas que Petz e Cobasi terão de vender.