A Chevron, como a única grande empresa dos EUA na Venezuela, encontra-se em uma posição privilegiada para cumprir a promessa do Presidente Trump, feita neste sábado, de rejuvenescer o setor petrolífero do país latino-americano.

A captura de Nicolás Maduro pelos EUA faz com que a Chevron trace um novo curso enquanto se mantém em alguns dos campos de petróleo mais potentes do mundo.

“Teremos nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores de qualquer lugar do mundo, entrando, gastando bilhões de dólares, consertando a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura petrolífera, e começando a ganhar dinheiro para o país”, disse Trump em uma entrevista coletiva em Mar-a-Lago.

Como a maior investidora estrangeira na Venezuela, a gigante do petróleo passou anos navegando pelo turbulento cenário político e econômico do país, enquanto suas rivais se retiravam — ou eram expulsas pelos líderes venezuelanos.

A Chevron afirmou em comunicado no sábado que está focada na segurança de seus funcionários e na integridade de seus ativos no país.

A oportunidade que a empresa enfrenta é imensa. O governo da Venezuela afirma que suas reservas provadas de petróleo superam 300 bilhões de barris, o que, se confirmado, tornaria sua reserva a maior do mundo.

Atualmente, a Venezuela cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia. É pouco – o equivalente a um único campo brasileiro, por exemplo o de Búzios. Tudo por conta de anos de crise econômica e pouco investimento na manutenção da infraestrutura. A Chevron é responsável por 200 mil barris (pouco mais do que as junior oils brasileiras somadas).

A Venezuela chegou a bombear mais de 3 milhões de barris por dia em 2013, de acordo com a estatal Petróleos de Venezuela, conhecida como PDVSA.

Outras grandes empresas petrolíferas interessadas em retornar à Venezuela certamente levarão tempo para avaliar a situação, pois o governo do país tem um histórico de apropriação de ativos petrolíferos, como ocorreu nas décadas de 1970 e 2000, disseram analistas.

A ConocoPhillips e a Exxon Mobil saíram do país em 2007, depois que o ex-presidente Hugo Chávez nacionalizou seus ativos. Posteriormente, a Conoco processou o governo venezuelano em mais de US$ 20 bilhões; a Exxon processou em US$ 12 bilhões. As empresas receberam frações de suas perdas em processos de arbitragem prolongados.

Conoco e Exxon não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

“As empresas de petróleo sempre querem petróleo, e a Venezuela tem muito”, disse José Ignacio Hernández, professor de direito, consultor e especialista em dívida pública da Aurora Macro Strategies. “Mas elas precisam de estabilidade política, o que requer mais do que apenas a remoção de Maduro. A situação ainda está em andamento.”

Trump afirmou que os EUA vão “administrar o país” até que sua administração possa “fazer uma transição segura, adequada e criteriosa”.

A Chevron e suas joint ventures empregam cerca de 3 mil pessoas na Venezuela. A empresa bombeia aproximadamente 300.000 barris de petróleo por dia em três grandes projetos na Faixa do Orinoco, no leste, e um perto do Lago Maracaibo, no oeste.

A empresa, sediada em Houston, continuou a enviar petróleo bruto venezuelano para a Costa do Golfo dos EUA, mesmo depois de Washington ter imposto um bloqueio a petroleiros na lista negra que viajavam principalmente para a China e Cuba.

A Chevron fez um intenso lobby junto aos governos Biden e Trump para manter sua posição singular como a única empresa petrolífera dos EUA operando na Venezuela.

“Estamos comprometidos com o povo do país e gostaríamos de estar lá como parte da reconstrução da economia da Venezuela no momento em que as circunstâncias mudarem”, disse o CEO da Chevron, Mike Wirth, em novembro, na cúpula de investimentos EUA-Arábia Saudita, em Washington.

Líderes do movimento democrático da Venezuela, liderado por María Corina Machado, afirmaram que o petróleo bombeado pela Chevron terá um papel fundamental na recuperação econômica do país.

O movimento democrático está desenvolvendo um plano econômico que prevê que a Chevron e outras grandes petrolíferas aumentem a produção de petróleo bruto da Venezuela em vários milhões de barris por dia em menos de uma década, de acordo com Rafael de la Cruz, diretor do escritório em Washington do presidente eleito da Venezuela, Edmundo González, e de Machado. O movimento vislumbra a PdVSA como uma agência reguladora de energia que atuaria como árbitra em um setor de petróleo privatizado.

“Se a Venezuela vai crescer como pensamos que vai, será basicamente devido ao investimento privado massivo”, disse de la Cruz em uma entrevista no início de dezembro. “A Chevron fará parte da indústria petrolífera na Venezuela, sem dúvida, junto com muitas outras empresas que gostaríamos de atrair de volta.”