A Chevron Corp., a única grande petroleira americana que atualmente opera no país sul-americano sob autorização especial dos EUA, chegou a subir até 10%. ConocoPhillips e Exxon Mobil Corp. também avançaram.
Trump afirmou que empresas petrolíferas dos EUA investirão bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura energética deteriorada da Venezuela e restaurar o setor de petróleo do país ao seu antigo esplendor.
A Chevron — que permaneceu na Venezuela após a expropriação de ativos estrangeiros de petróleo no início dos anos 2000 — está entre as grandes companhias globais mais bem posicionadas para se beneficiar imediatamente de um maior acesso dos EUA às maiores reservas de petróleo bruto do mundo. A ConocoPhillips tem mais de US$ 8 bilhões a receber da Venezuela, enquanto a Exxon ainda tem cerca de US$ 1 bilhão a receber, decorrentes da nacionalização de ativos, segundo decisões de árbitros internacionais.
“Vamos fazer com que nossas muito grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores em qualquer lugar do mundo — entrem, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura gravemente danificada — a infraestrutura de petróleo — e comecem a gerar dinheiro para o país”, disse Trump no sábado.
Uma recuperação completa da indústria petrolífera do país pode levar muitos anos e custar mais de US$ 100 bilhões, segundo Francisco Monaldi, diretor de política energética para a América Latina do Baker Institute for Public Policy, da Universidade Rice.
Anos de corrupção, falta de investimentos, incêndios e roubos deixaram a infraestrutura de petróleo do país em ruínas, enquanto as sanções dos EUA isolaram ainda mais a Venezuela. O principal comprador de seu petróleo tem sido a China.
A Chevron responde por cerca de 20% da produção de petróleo do país sob uma licença de isenção de sanções e envia o petróleo para refinarias nos Estados Unidos. A empresa continuou exportando petróleo venezuelano mesmo enquanto o governo Trump implementava um bloqueio marítimo parcial.
“A Chevron continua focada na segurança e no bem-estar de nossos funcionários, assim como na integridade de nossos ativos”, afirmou um porta-voz da companhia em comunicado divulgado na segunda-feira. “Continuamos operando sem interrupções e em total conformidade com todas as leis e regulações relevantes.” A única mudança em relação ao que a Chevron havia dito anteriormente no fim de semana foi a inclusão da palavra “sem interrupções”.
Não está claro o quão dispostas as grandes petroleiras globais estarão a investir somas substanciais em um país governado por um governo temporário apoiado pelos Estados Unidos, sem regras legais e fiscais estabelecidas.
A ConocoPhillips afirmou neste fim de semana que é prematuro especular sobre futuras atividades de negócios. Em 2024, a empresa sediada em Houston — que já dominou a produção na Venezuela — recebeu uma série de licenças do governo dos EUA que a colocaram em melhor posição para recuperar parte ou a totalidade das perdas decorrentes da expropriação de ativos no país.
A Exxon avaliaria qualquer oportunidade potencial na Venezuela, mas adotaria cautela, já que seus ativos no país foram expropriados no passado, disse o diretor-presidente Darren Woods em entrevista em novembro.
Analistas e operadores afirmam que pode levar anos para que a infraestrutura crítica seja totalmente reparada e para que o petróleo volte a fluir livremente da Venezuela, que atualmente responde por menos de 1% da oferta global, apesar de deter as maiores reservas do mundo.
A italiana Eni SpA e a espanhola Repsol SA, que também têm operações na Venezuela, registraram alta no início do pregão europeu. A francesa Etablissements Maurel & Prom SA, que possui interesses no país, disparou até 14%.
Apesar dos ataques dos Estados Unidos no sábado, a infraestrutura petrolífera da Venezuela — incluindo o porto de José, a refinaria de Amuay e as principais áreas produtoras na Faixa do Orinoco — não foi afetada, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.