A Porsche enfrenta uma série de desafios, incluindo a correção de um plano ambicioso de expansão de veículos elétricos, que desorganizou o cronograma de modelos e pressionou margens. Tarifas nos EUA — atualmente o mercado mais importante da marca, superando a China — também afetaram os lucros.
Na China, onde a concorrência local tem se intensificado, as vendas da Porsche caíram 26%. A desaceleração econômica no país afetou consumidores de diferentes faixas de renda, enquanto a crise imobiliária prolongada reduziu gastos com produtos de luxo. Fabricantes locais, como BYD, Xiaomi e Huawei, têm atraído clientes ricos com materiais premium e tecnologia avançada de software e baterias. BMW e Mercedes-Benz também enfrentam problemas semelhantes no maior mercado automotivo do mundo.
Na Europa, a queda nas entregas ocorreu em parte devido a problemas de fornecimento relacionados aos modelos 718 e Macan. A Porsche precisou descontinuar a produção dessas versões com motor a combustão para atender às novas regras de cibersegurança da UE.
As ações da Porsche caíram até 1,2% em Frankfurt, acumulando queda superior a 30% no último ano, fazendo com que a empresa saísse do índice DAX da Alemanha.
A fabricante prometeu melhorias após os contratempos de 2025, ano em que revisou suas projeções quatro vezes. O desempenho fraco ocorreu em momento crítico para a Volkswagen, que depende dos lucros de suas marcas premium, como Audi.
A demanda global pelo primeiro veículo elétrico da Porsche, o Taycan, caiu 22% no ano passado, com os valores residuais mostrando menor resistência que os modelos a combustão. A empresa alertou que a correção de rota nos elétricos reduziria o lucro operacional em até € 1,8 bilhão (US$ 2,1 bilhões) em 2025.
Michael Leiters, ex-chefe da McLaren Automotive, assumiu como CEO em 1º de janeiro, encerrando o duplo papel de Oliver Blume, CEO da Volkswagen. Especialista em híbridos e ex-responsável pelo Cayenne, Leiters também negociará cortes adicionais de custos com líderes sindicais neste ano.
O CFO Jochen Breckner afirmou em outubro que, embora 2025 tenha sido um ponto baixo, a empresa mira retornar a margens de dois dígitos nos anos seguintes a 2026.