As ações da Suzano, uma das maiores exportadoras globais de celulose, dispararam depois que executivos apontaram a expectativa de um aperto na oferta global, o que pode sustentar os preços da commodity nos próximos meses.

A dinâmica do mercado está “muito melhor do que esperávamos para o início do ano”, disse Leonardo Grimaldi, vice-presidente comercial de celulose, durante teleconferência de resultados nesta quarta-feira (11). “Não acreditamos que essa tendência seja de curto prazo e esperamos que ela continue após fevereiro”, acrescentou.

A avaliação marca uma mudança nas expectativas do mercado, após meses de fraqueza nos preços ao longo de 2025, provocada por demanda deprimida e turbulências relacionadas a tarifas.

As ações da companhia chegaram a subir até 8,6% na bolsa brasileira, o maior ganho intradiário desde junho de 2024.

Segundo Grimaldi, produtores da Indonésia, um dos principais fornecedores globais, estão reduzindo a produção de celulose após o governo revogar licenças florestais. A medida também afeta o mercado de cavacos de madeira, com potencial de elevar os custos para fábricas de celulose na China e no Japão. Ao menos uma fábrica asiática adiou o início de uma expansão de capacidade planejada para este ano.

A Suzano registrou queda de 14% no lucro antes de itens como juros e impostos no quarto trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A empresa informou que pretende manter sua produção abaixo da capacidade máxima até 2026, em meio aos impactos da valorização do real frente ao dólar, já que a maior parte de suas vendas é realizada na moeda americana.

Dólar mais fraco

Apesar do dólar mais fraco, analistas da XP e da Genial avaliaram que os resultados da Suzano no quarto trimestre de 2025 ficaram acima do esperado, tanto em volume de vendas quanto em rentabilidade. A XP destacou um Ebitda ajustado — indicador que mede o resultado operacional da empresa — de R$ 5,6 bilhões, valor 11% superior às suas estimativas. O desempenho foi puxado principalmente pelos negócios de celulose e papel, com vendas fortes no mercado doméstico e boa geração de caixa.

A corretora manteve recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 66, citando como pontos positivos a produção cerca de 3,5% abaixo da capacidade em 2026 e uma avaliação considerada atrativa. Já a Genial apontou que as vendas de celulose somaram 3,4 milhões de toneladas, 6,4% acima do que previa, além de um Ebitda de R$ 5,6 bilhões, 12,8% acima de suas projeções, e receita de R$ 13,1 bilhões, crescimento de 6,9%.

A Genial também destacou um lucro não recorrente de R$ 116 milhões, relacionado a ajustes contábeis, e surpresas positivas no volume vendido e na distribuição geográfica das vendas, com mais de metade destinada à Europa e à América do Norte.

Em entrevista na terça-feira, o diretor-presidente (CEO) da Suzano, João Alberto Abreu, afirmou que a empresa segue focada na redução de custos e manterá a produção cerca de 3,5% abaixo da capacidade total até o fim de 2026, após já ter feito ajustes no ano passado.

“Temos a responsabilidade de entender a rentabilidade e analisar o negócio com muito cuidado”, afirmou Abreu.