O novo salário de Abel representa um aumento de 19% em relação aos US$ 21 milhões recebidos em 2024. No total, ele ganhou um pouco mais no ano passado quando consideradas outras formas de remuneração, de acordo com o mesmo documento.
Buffett, que deixou o cargo executivo no fim de 2025 e segue como presidente do conselho, manteve por mais de quatro décadas uma estrutura de pagamento considerada excepcionalmente baixa para um CEO corporativo. Além do salário fixo de US$ 100 mil, seus benefícios se limitavam basicamente a custos com segurança pessoal e residencial, pagos pela empresa.
Segundo documentos regulatórios compilados pelo jornal americano Wall Street Journal, Buffett nunca recebeu bônus, ações ou opções e, desde 2010, sua remuneração total anual raramente superou US$ 500 mil, mesmo quando incluídos os gastos com segurança.
A modéstia do salário contrastava com sua fortuna pessoal. Graças à valorização de sua participação acionária na Berkshire, Buffett se tornou um dos homens mais ricos do mundo, com patrimônio estimado em cerca de US$ 150 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
Embora Abel passe a ganhar muito mais do que Buffett, seu pacote de remuneração ainda fica bem abaixo de alguns incentivos considerados “estratosféricos” concedidos a executivos do setor de tecnologia nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, acionistas da Tesla Inc. aprovaram um pacote de até US$ 1 trilhão para o CEO Elon Musk — um acordo com duração de 10 anos, condicionado ao cumprimento de metas específicas para que o valor total seja efetivamente recebido.
Quem é Greg Abel?
Greg Abel é canadense, formado em Contabilidade pela Universidade de Alberta, e entrou para a Berkshire Hathaway em 1999, quando o conglomerado adquiriu o controle da empresa de energia MidAmerican. Em 2008, ele se tornou CEO do negócio, que mais tarde passaria a se chamar Berkshire Hathaway Energy, uma das divisões mais relevantes do grupo.
Em 2018, Abel foi promovido a vice-presidente da Berkshire Hathaway, assumindo a responsabilidade por todos os negócios não ligados a seguros do conglomerado. Desde 2021, ele já era apontado publicamente por Buffett como seu sucessor natural.
Analistas destacam que Abel adota uma postura mais participativa e operacional, acompanhando de perto o desempenho das empresas do grupo, mas sem abandonar a filosofia de descentralização que sempre caracterizou a Berkshire. Ele preserva a autonomia das subsidiárias, ao mesmo tempo em que exerce uma supervisão mais ativa sobre resultados e desafios estratégicos.
O próximo marco da transição será quando Abel apresentar sua visão para a Berkshire em sua primeira carta aos acionistas, prevista para o final de fevereiro. Até lá, a expectativa é de continuidade na rotina do conglomerado, reforçando a mensagem de estabilidade na era pós-Buffett.
