O objetivo, segundo a empresa, é “equacionar em definitivo” a estrutura de capital do grupo, concentrar esforços nos segmentos de maior rentabilidade e, no horizonte de até oito anos, buscar uma alavancagem sustentável em torno de 1 vez a relação dívida líquida/Ebitda — além do potencial de dobrar o Ebitda no período.
O anúncio vem na sequência de um movimento recente que já tinha dado o tom dessa estratégia. Em dezembro, a CSN concluiu a venda de uma fatia da MRS Logística para a CSN Mineração, operação que movimentou R$ 3,35 bilhões e funcionou, na prática, como uma transferência de liquidez dentro do próprio grupo.
A mineradora, com balanço mais robusto e menor pressão de endividamento, acabou servindo como fonte de recursos para a controladora, num momento em que a siderúrgica busca reduzir a alavancagem e reforçar a flexibilidade financeira.
A participação da CSN Mineração na concessionária sobe para 29,91%, enquanto a participação direta da CSN cai para 7,59%. Pelo preço implícito, a MRS foi avaliada em cerca de R$ 30 bilhões, o que colocaria a fatia total originalmente detida pela CSN em algo próximo de R$ 5,6 bilhões.
Agora, com o “mapa” de desinvestimentos formalizado ao mercado, a companhia sinaliza que pretende ir além de rearranjos internos. As vendas de participação em ativos estarão sujeitas às aprovações usuais, legais, concorrenciais e regulatórias e buscam abrir espaço para uma redução de endividamento em escala, ao mesmo tempo em que a empresa tenta concentrar capital e gestão nos negócios com maior retorno.
As ações também vêm refletindo um certo otimismo dos investidores com os passos, ainda graduais, que a CSN tem sinalizado na direção da desalavancagem. No acumulado de cerca de 12 meses, o papel sobe 18%, para R$ 10,27: é uma recuperação relevante, mas ainda muito distante do pico perto de R$ 50 registrado há quase cinco anos, quando o mercado precificava um cenário bem menos apertado para a estrutura de capital do grupo.