Os investidores da Eneva terminaram a semana mais aliviados depois que o governo federal revisou nesta sexta-feira (13), de última hora, os preços do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), marcado para março – um certame considerado estratégico tanto para a companhia quanto para a segurança energética do país.

A correção feita pelo Ministério de Minas e Energia praticamente dobrou os tetos de preços para termelétricas a gás e reverteu a frustração provocada pelo edital original, divulgado no início da semana. Os preços originais atingiram em cheio a Eneva, que viu suas ações caírem quase 20%. Após o anúncio da revisão nesta sexta, os papéis reagiram e subiram cerca de 8%, recuperando parte das perdas.

Jogo virou

O edital aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na terça-feira estabelecia preços de até R$ 1,4 milhão por MW/ano para usinas a gás e carvão e R$ 1,6 milhão para novos projetos – valores bem abaixo das estimativas de mercado, que giravam em torno de R$ 3 milhões.

Analistas alertavam que, nesses patamares, o leilão corria risco de atrair oferta insuficiente, o que colocaria em dúvida a própria viabilidade do certame.

Após a repercussão negativa, o governo anunciou a atualização após consultas ao setor e análises técnicas com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Os novos limites subiram para R$ 2,25 milhões por MW/ano no caso de usinas existentes e R$ 2,9 milhões para projetos novos a gás. O teto para expansão hidrelétrica foi mantido em R$ 1,4 milhão.

Segundo o ministério, a revisão levou em conta os investimentos necessários para manter a operação segura das usinas e a escalada internacional nos custos de capital, equipamentos e financiamento.

Em nota, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a medida busca garantir segurança energética, competição efetiva e previsibilidade regulatória, preservando a responsabilidade com o consumidor.

Bom para Eneva

Para a Eneva, empresa controlada pelo BTG Pactual, a mudança altera significativamente a equação econômica do leilão. A renovação de contratos de usinas como Parna I e III volta a ser considerada viável, enquanto ativos a gás no Espírito Santo e as unidades a carvão de Itaqui e Pecém II passam a ter receitas fixas mais compatíveis com seus custos operacionais.

Projetos greenfield, como o Celse 2, também ganham competitividade e potencial de geração de caixa. Na avaliação de analistas do Itaú BBA, a revisão representa um “Carnaval de Vitórias” para a companhia. 

No cenário mais otimista – com renovação integral de contratos e avanço dos principais projetos – o preço-alvo da ação poderia chegar a R$ 26,3. Em cenários mais conservadores, as estimativas variam entre R$ 20 e R$ 24,2.

Além do impacto direto na Eneva, o ajuste reduz o risco de subcontratação no leilão e melhora os sinais econômicos para investimentos em geração despachável no país.

O certame de março é visto como peça-chave para garantir energia em momentos de pico de consumo ao longo da década, em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes, como as energias eólica e solar.