O valor da operação foi estimado em R$ 872,3 milhões e pode superar a marca de R$ 1 bilhão a depender da realização de condicionantes. O negócio depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Hoje, Pecém II tem acordos de venda de energia até 2028. A usina foi contratada no recém-realizado Leilão de Reserva de Capacidade, o que garantiu uma nova contratação por dez anos a partir de 2031.
O acordo com a Diamante, tem como sócio Pedro Grünauer Kassab, sobrinho de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro do governo federal, prevê um pagamento adicional de até R$ 149 milhões caso esses contratos comecem antes do previsto.
A usina é movida a carvão e tem capacidade de 365 MW. Para efeito de comparação: trata-se de pouco mais da metade da potência instalada da usina nuclear de Angra 1, com 640 MW.
Terminal de GNL
No mesmo comunicado, a Eneva, que tem o BTG Pactual como principal acionista, informou que vai instalar um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo do Pecém.
O projeto prevê uma estrutura para importar, armazenar e regaseificar o gás, com capacidade de até 14 milhões de metros cúbicos por dia.
Esse terminal vai abastecer as usinas Jandaia II e Jandaia III, que juntas somam cerca de 1,2 GW de capacidade e também foram contratadas no citado Leilão de Reserva de Capacidade. Os contratos têm início previsto para 2029 e prazo de 15 anos.
O salto da Eneva
O governo federal realizou o Leilão de Reserva de Capacidade em 18 de março. O certame foi voltado a usinas hidrelétricas e termelétricas movidas a gás natural e carvão.
Ao final do pregão, foram contratados quase 19 GW de potência – distribuídos entre 100 usinas, com entregas previstas entre 2026 e 2031.
Esse tipo de leilão não contrata energia para consumo cotidiano. O que o governo compra é a disponibilidade – ou seja, a garantia de que certas usinas estarão prontas para entrar em operação quando o sistema elétrico precisar. É, em essência, um seguro contra apagões.
A Eneva foi considerada no mercado a grande vencedora do leilão. A companhia saiu do pregão com 5,06 GW contratados, o maior volume de uma empresa, somando a renovação de usinas já em operação e a aprovação de novos projetos. O pacote envolve R$ 18,2 bilhões em investimentos.
Além de Pecém II, outros contratos renovados incluem usinas no Espírito Santo e no Complexo Parnaíba, no Maranhão.
Do lado dos novos projetos, a Eneva avançou em três frentes: o Hub Sergipe, com 1.244,8 MW contratados; o Hub Ceará – composto pelas usinas Jandaia II e III –, com 1.147,8 MW; e o Hub Sudeste, com 1.093,5 MW.