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‘Faltou à Ford dizer a verdade: eles querem subsídios’, afirma Bolsonaro

O anúncio da saída do país da Ford acabou colocando em debate a concessão de bilhões de incentivos tributários para a indústria automobilística.

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Logotipo da Ford durante feira do setor automotivo em Frankfurt, em 2019. REUTERS/Wolfgang Rattay

O presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira (12) a apoiadores que a Ford não disse a verdade sobre o fechamento dos parques fabris no Brasil. “Mas o que a Ford quer? Faltou à Ford dizer a verdade: querem subsídios. Vocês querem que continuemos dando R$ 20 bilhões para eles como fizemos nos últimos anos, dinheiro de vocês, impostos de vocês, para fabricar carro aqui?”, perguntou o presidente.

E ele mesmo respondeu na sequência: “Não. Perdeu para a concorrência, lamento.”

Depois de mais de 100 anos produzindo no Brasil, a Ford anunciou na segunda-feira o encerramento de sua produção de veículos no país. A decisão afeta as fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE), mas a montadora segue com sua operação de vendas e assistência técnica no Brasil, focando em produtos importados.

O anúncio da saída do país da Ford acabou colocando em debate a concessão de bilhões de incentivos tributários para a indústria automobilística.

Dados do Ministério da Economia apontam que os incentivos tributários para os fabricantes de automóveis atingiram R$ 43,7 bilhões entre 2010 e 2020. Até 2017, os incentivos contabilizados -R$ 25,24 bilhões – correspondem à base efetiva apurada. Nos três anos seguintes – 2018, 2019 e 2020 – os dados são projeções.

O levantamento leva em consideração os incentivos para todas as empresas do setor, já que os dados individuais são sigilosos. Além dos incentivos dos tributos federais, as empresas contam com benefícios dados pelos Estados, que não entraram na conta do Ministério da Economia.

Bolsonaro afirmou que a saída da empresa ocorreu porque a montadora “perdeu para a concorrência” e “em um ambiente de negócios, quando não se tem lucro, se fecha”. “Assim é na vida e na nossa casa”, completou o presidente, que disse ainda lamentar a decisão da montadora por causa de “cinco mil empregos perdidos.”

o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, avaliou que os argumentos da Ford para deixar de produzir carros no país foram “meio fracos”. Ele reforçou que a empresa poderia ter esperado mais até que o mercado brasileiro se recuperasse.

Em conversa com jornalistas na manhã desta terça-feira (12) ele reconheceu as dificuldades enfrentadas pela Ford e pelo setor automobilístico, mas avaliou que o mercado brasileiro teria condições de se recuperar. Na segunda-feira, o vice-presidente já havia comentado o assunto e avaliado que o anúncio da empresa não era uma “notícia boa”.

Mourão repetiu que a Ford ganhou “bastante dinheiro” no Brasil e destacou que ela recebeu incentivos ao longo dos 100 anos de atuação no país.

“A gente entende que no mundo inteiro a empresa está passando por problemas. A indústria automobilística está passando por problemas. Está havendo uma mudança”, disse na chegada à Vice-Presidência.

Lucratividade

A decisão da Ford de fechar suas fábricas no Brasil e demitir cerca de 5 mil funcionários vai reduzir os prejuízos e permitirá a empresa se concentrar em ampliar a lucratividade do segmento internacional, escreveram analistas do JPMorgan nesta terça-feira.

A Ford afirmou que a decisão de parar de montar veículos no Brasil faz parte do plano de reestruturação já anunciado de US$ 11 bilhões, dos quais parte dos US$ 4,2 bilhões em encargos já foram registrados no terceiro trimestre do ano passado.

O analista Ryan Brinkman, do JPMorgan, afirmou em relatório que a decisão de fechar as fábricas no Brasil veio em um momento em que investidores têm reclamado sobre a falta de caminho para a lucratividade dos negócios da Ford na América do Sul.

A decisão também veio alguns dias depois do governo de São Paulo ter elevado o ICMS cobrado sobre as vendas de veículos novos e usados, algo que foi alvo de críticas na semana passada pela associação de montadoras, Anfavea.

“Esperamos que a decisão contribua para reduzir rapidamente os prejuízos das operações sul-americanas, para as quais agora esperamos um resultado financeiro em equilíbrio em 2020, ante prejuízo de 300 milhões de dólares anteriormente.”

O JPMorgan elevou o preço-alvo das ações da Ford em 10%, para US$ 11.

Analistas do Credit Suisse também disseram que o fechamento das fábricas brasileiras deve ajudar na melhoria de margens da Ford e que a decisão faz sentido estratégico.

‘Anos de perdas significativas’

No comunicado divulgado na segunda-feira (11), a Ford destacou “anos de perdas significativas no Brasil”, intensificadas pela pandemia da covid-19, como um dos motivos para o fim da produção no Brasil.

A empresa fechará suas fábricas em Camaçari (BA), onde produz os modelos EcoSport e Ka, em Taubaté (SP), que produz motores, e em Horizonte (CE), onde são montados os jipes da marca Troller.

*Com Reuters e Estadão Conteúdo

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