O corredor marítimo por onde passa 20% do petróleo global está fechado, na prática, desde o fim de semana, quando mísseis iranianos atingiram petroleiros e o tráfego cessou. Este comunicado da Guarda Revolucionária, feito na tarde da segunda, oficializa o bloqueio.
Mas não é “só” um quinto do petróleo do planeta que passa por ali. Entra também um terço do suprimento global de ureia – um dos fertilizantes mais usados. Catar, Arábia Saudita e Irã estão todos no top ten de exportadores, e escoam a produção pela estreita entrada do Golfo Pérsico. Desde o início do conflito, esse insumo agrícola subiu 13%, de US$ 485 para US$ 550 por tonelada.
A alta do petróleo é positiva, em parte, para o Brasil, já que somos exportadores líquidos – Prio, Petrobras e PetroReconcavo tiveram uma ótima segunda-feira na bolsa, com altas de 5%, 4% e 3%, respectivamente.
Mas para o agro a história é outra. Nós importamos 93% dos fertilizantes. E a ureia, usada em culturas de milho, cana e café, representa 17% disso. Quanto mais tempo o estreito ficar fechado, mais caro ficará um insumo fundamental.
Sobre o petróleo. Analistas da Bloomberg Economics estimam que, com o estreito fechado, o petróleo possa chegar a US$ 108. Nesta segunda (10), o barril disparou 6,68%, a US$ 77,74. Caso a escalada se mantenha, a ameaça é de um salto na inflação global.
O Banco Mundial estima que altas de 10% no petróleo aumentam a inflação em 0,35% ao ano. Não é pouco. Mais ainda num contexto em que a alta do barril pode chegar a 40% – na comparação entre o pré-guerra e a previsão dos analistas da Bloomberg.
Bom para quem vende petróleo – e não precisa cruzar o estreito, como nós. Ruim para quem vende basicamente qualquer outra coisa.