As indicações partiram do investidor Silvio Tini, hoje detentor de pouco mais de 10% do capital da companhia, e do Casino, dono de 22,5% do GPA. A dupla irá ocupar interinamente os cargos até a próxima assembleia de acionistas, que deverá aprovar ou reprovar os nomes.
A movimentação explicita a nova correlação de forças em torno da governança da varejista — e adiciona um elemento de atrito para outros grupos que tentavam ganhar espaço no conselho.
Athayde Fernandes trabalha na Bonsucex, holding de Silvio Tini, investidor que montou participação relevante no GPA recentemente e atingiu 10% do capital no fim de 2025. Tini também é acionista de empresas como Alpargatas, Bombril e Gerdau. A entrada de um investidor desse porte tornava natural a tentativa de conquistar uma cadeira no board.
Já Eleazar Filho é um nome próximo do Casino. Ele tem histórico de atuação em conselhos e operações relevantes: já foi chairman da Oi, presidente do BNDES e já integrou o próprio conselho do GPA na década passada – também tendo sido indicado pelo grupo francês. O “novo-velho” conselheiro é sócio-fundador da Virtus BR Partners, especializada em reestruturação de dívida.
A cadeira ocupada por ele pertencia ao ex-CEO Marcelo Pimentel, que renunciou após embates com o então vice-presidente do colegiado, Edson Ticle, CFO da Minerva, e que também deixou o conselho no fim do ano passado. Ticle era uma indicação do investidor Rafael Ferri.
Na prática, o Casino preserva influência na governança ao manter um nome alinhado ao seu bloco de interesses, em um momento em que o GPA tenta reorganizar sua estratégia e sua estrutura interna após mudanças relevantes.
Atualmente, o grupo francês possui três cadeiras no colegiado, mesmo número que os indicados do Grupo Coelho Diniz, hoje o maior acionista individual do GPA, com 24,6% de participação.
Indicações paralelas
As indicações de Tini e Casino frustam, em um primeiro momento, os planos dos investidores Rafael Ferri e Hugo Fujisawa, que chegaram a pedir a convocação de uma assembleia de acionistas para eleger dois novos conselheiros.
Os investidores haviam indicado os nomes de Daniel Schrickte e Gustavo Volpato. Também nesta quarta-feira, o GPA negou o pedido de Ferri e Fujisawa, alegando que os dois não teriam a participação acionária mínima necessária para a convocação de uma assembleia.
Mudanças em curso
Recentemente, o GPA também enfrentou mudanças profundas no C-level. Na semana passada, o grupo escolheu Alexandre Santoro, ex-CEO da IMC, para comandar a companhia. Em paralelo, Rafael Russowsky, então CFO e CEO interino, renunciou.
Santoro terá como missão o controle de custos. Para isso, o GPA contratou a consultoria americana Alvarez & Marsal para ajudar a implementar um programa de eficiência que pretende reduzir os gastos em até R$ 700 milhões.