Publicidade

O diretor-presidente da Heineken NV, Dolf van den Brink, está deixando o cargo de forma abrupta, em um momento em que a cervejaria enfrenta queda nas vendas de cerveja e desempenho inferior ao de seus concorrentes.

Van den Brink deixará o posto em 31 de maio, informou a Heineken na segunda-feira (12), em um movimento surpreendente após seis anos no comando e mais de 28 anos no total na companhia holandesa. A Heineken começará agora a buscar seu sucessor, e Van den Brink, de 52 anos, permanecerá como conselheiro da empresa até o próximo ano.

As ações da Heineken chegaram a cair até 3,2% nas primeiras negociações em Amsterdã, a maior queda intradiária desde julho. Os papéis têm apresentado desempenho inferior ao de rivais como Anheuser-Busch InBev SA/NV e Carlsberg A/S desde que Van den Brink assumiu, em junho de 2020, acumulando queda de quase 17% até o fechamento da sexta-feira.

“Ele chegou com grandes expectativas, mas a Heineken não conseguiu corresponder a elas”, disse o analista James Edwardes Jones, do RBC Capital Markets, em nota. “Talvez essa mudança no topo seja o que a Heineken precisa.”

A saída ocorre depois de a Heineken ter alertado, em outubro, que o lucro anual ficaria abaixo do esperado devido ao crescimento mais fraco na Europa e nas Américas, um problema que vem afetando a indústria cervejeira global há algum tempo, à medida que os hábitos de consumo mudam e a inflação reduz a demanda dos consumidores.

A cervejaria espera que o crescimento do lucro operacional ajustado fique na parte inferior da faixa anteriormente projetada, de 4% a 8%, quando divulgar os resultados do ano completo no próximo mês. A empresa também prevê uma queda moderada nos volumes.

Van den Brink vinha tentando impulsionar o crescimento de longo prazo das vendas por meio da expansão em mercados em desenvolvimento e do incentivo para que os consumidores optassem por cervejas premium, uma estratégia que tem sido desafiada pela desaceleração econômica em mercados-chave como Nigéria e Brasil. O Brasil é o segundo maior mercado do grupo holandês em todo o mundo.

O que diz a Bloomberg Intelligence:

A busca da Heineken por um novo CEO precisará se concentrar em alguém capaz de lidar com a mudança nos hábitos de consumo, em um cenário de queda nas vendas de cerveja, atrair novamente os consumidores mais jovens para bares e restaurantes e revitalizar tanto o portfólio de bebidas alcoólicas quanto as alternativas sem álcool da empresa, diz Duncan Fox, analista de bens de consumo da BI.

A saída de Van den Brink acontece antes do que muitos investidores esperavam, afirmou o analista do Citi Simon Hales em nota, acrescentando que a falta de um plano de sucessão “rompe com a história da Heineken” e pode levantar questionamentos sobre o desempenho da companhia no ano.

O período de Van den Brink no comando coincidiu com uma fase turbulenta para a indústria, incluindo a inflação desencadeada pela pandemia e a guerra da Rússia na Ucrânia.

A Heineken, que além da marca homônima também produz Tecate e Amstel, afirmou em um evento para investidores em outubro que planeja concentrar seus esforços de crescimento em 17 mercados-chave e reduzir investimentos em algumas de suas marcas.