Leonardo Maria Del Vecchio, de 30 anos e filho do fundador, intensificou as discussões para adquirir cerca de 25% da holding familiar pertencente aos irmãos Luca e Paola. Um acordo preliminar pode ser alcançado nas próximas semanas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A operação também pode abrir caminho para um acordo mais amplo sobre a fortuna de Del Vecchio, que era a segunda maior da Itália quando ele morreu, em 2022, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index. Desde então, divergências entre os oito herdeiros com participação igualitária têm travado decisões importantes, já que o testamento exige consenso.
Caso concretizada, a transação tornaria Leonardo Maria o maior acionista da holding familiar Delfin Sarl, com cerca de 37,5% de participação. Um bloco acionário desse tamanho facilitaria o cumprimento das exigências de unanimidade e poderia destravar novas negociações.
Leonardo Maria negocia com um grupo de bancos para estruturar o financiamento da operação, que seria garantido pelas participações dos três irmãos. A dívida pode ser organizada como um empréstimo-ponte, dando tempo para avaliar opções estratégicas para os ativos da Delfin e sua governança.
As negociações seguem em andamento e os termos ainda podem mudar. O jornal italiano Corriere della Sera informou que um acordo preliminar já teria sido alcançado, enquanto o La Repubblica reportou que uma assembleia de acionistas está prevista para segunda-feira, com possibilidade de oposição por parte de outros herdeiros.
UniCredit SpA, BNP Paribas e Crédit Agricole estariam envolvidos na estruturação do financiamento.
Outro herdeiro também pode colocar sua participação à venda, o que poderia acionar direitos de preferência dentro da estrutura societária, permitindo que familiares e a própria holding evitem uma concentração excessiva de poder.
Representantes da Delfin e de Leonardo Maria Del Vecchio não comentaram.
Disputas familiares
Com sede em Luxemburgo, a Delfin administra uma das maiores fortunas familiares da Europa, com portfólio avaliado em mais de €55 bilhões (US$ 64,4 bilhões). Entre os ativos está uma participação de quase um terço na EssilorLuxottica, maior empresa global de óculos, dona de marcas como Ray-Ban, Oakley, Persol e Oliver Peoples, além de investimentos no setor financeiro e industrial italiano.
A receita com dividendos superou €1,1 bilhão (US$ 1,3 bilhão) em 2024 e deve alcançar cerca de €1,2 bilhão (US$ 1,4 bilhão) em 2025, segundo documentos da empresa.
Um acordo encerraria um impasse de quatro anos entre os herdeiros, após Del Vecchio construir a Luxottica e posteriormente fundi-la com a francesa Essilor.
O patrimônio foi dividido entre oito beneficiários: os seis filhos do empresário, sua viúva Nicoletta Zampillo e Rocco Basilico, filho de Zampillo de um relacionamento anterior. A estrutura acionária fragmentada tem dificultado a governança e a tomada de decisões estratégicas.
A Delfin desempenha papel central na estratégia da EssilorLuxottica, que vem investindo em óculos inteligentes com inteligência artificial e em tecnologia médica. A holding também possui participações relevantes em instituições financeiras italianas, como Banca Monte dei Paschi di Siena SpA e Assicurazioni Generali SpA.
Uma investigação conduzida por promotores de Milão sobre a tentativa de aquisição do Mediobanca SpA pela Monte dei Paschi envolve o presidente da Delfin, Francesco Milleri, além do CEO da Monte dei Paschi, Luigi Lovaglio, e o empresário Francesco Gaetano Caltagirone.
Os promotores investigam uma possível coordenação entre investidores da Monte dei Paschi por suspeitas de manipulação de mercado e obstrução de reguladores. Nenhum dos envolvidos foi formalmente acusado. A Delfin afirma que seu conselho atuou em conformidade com as leis e regras de mercado.