O caso levou mais tempo porque, em meados de dezembro, a autarquia decidiu aprofundar a análise diante de potenciais riscos concorrenciais, já que a operação envolve empresas em diferentes elos da cadeia de combustíveis. A Vibra é a maior distribuidora do país, enquanto a Inpasa lidera a produção de etanol.
No parecer divulgado nesta quarta-feira (18), porém, a área técnica concluiu que, apesar da integração vertical entre produção de etanol e distribuição, não haveria capacidade nem incentivo econômico para fechamento de mercado ou discriminação de concorrentes.
O Cade também avaliou eventuais sobreposições horizontais e entendeu que os níveis de concentração não seriam suficientes para gerar preocupações concorrenciais relevantes. O Fundo Infiniti JL, veículo de investimento de Lopes, sempre sustentou que a participação tinha caráter financeiro e não implicaria influência na gestão.
A aprovação sem remédios abre uma nova fase para o investimento de Lopes na Vibra. Até o aval do Cade, o fundador da Inpasa estava impedido de exercer direitos políticos vinculados à sua participação. Agora, a autarquia abre um prazo de 15 dias para contestações e, se não houver, a operação é aprovada definitivamente.
Segundo apurou o InvestNews, Lopes manteve conversas recentes com o presidente do conselho da Vibra, Sergio Rial, a respeito do investimento e de uma eventual participação no board. A decisão do Cade remove o principal obstáculo regulatório para que o empresário possa disputar uma cadeira no conselho de administração.